CARD - WORLD TAG LEAGUE - DAY 4
LOCAL DO EVENTO
Rocket Arena - Ohio, Estados Unidos
Capacidade: 19.500 pessoas
THEME SONG
Hollywood Undead - Another Way Out
POSTER PROMOCIONAL
CARD
World Tag League - 4th Round Match: Glorious Intellect (Damien Sandow e Robert Roode) vs. Hart Foundation (Bret e Owen Hart)
No grupo mais disputado do torneio, a Glorious Intellect colidirá com a Hart Foundation pra ver quem se aproxima dos Brothers of Destruction!
World Tag League - 4th Round Match: Gloden Shower (Cody Rhodes e Goldust) vs. Hijos de las Estrellas (Bandido e Mistico)
Cody e Goldust vão em busca de sua primeira no torneio e pra isso vão enfrentar Bandido e Mistico!
World Tag League - 4th Round Match: Golden Lovers (Kenny Omega e Kota Ibushi) vs. The Dogs (David Finlay e Clark Connors)
Finlay e Connors querem encerrar a sequência de derrotas e vão ter pela frente os lendários Ibushi e Omega!
6-Man Elimination - Ladder Chaos Qualifying Match: Alberto Del Rio vs. CM Punk vs. Darby Allin vs. Minoru Suzuki vs. Vampiro vs. ???
Pra definir a última vaga da Society na Ladder Chaos, 6 lutadores vão se degladiar numa Elimination Match!
Singles Match: Nic Nemeth vs. Zilla Fatu
Zilla Fatu falhou em derrotar Kane e isso abriu brecha pra que Nic Nemeth tente ser o próximo desafiante pelo US Title!
Tag Team Match: Big Kahuna Joe e Sansho vs. Ludwig Kaiser e Seth Rollins
Os lutadores da FWC invadiram a Society e atacaram Kahuna, o que fez o lutador querer vingança!
PROMOS: Até as 23:59 do dia 11 de julho (Sábado)
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O dia começava em um tom diferente do habitual. O maldito, usando seus inseparáveis óculos escuros e a já tradicional sunga rosa, permanecia esticado na espreguiçadeira a beira da piscina, encarando o horizonte. Ao contrário das últimas semanas, Nic não parecia carregar nos ombros o peso de ser o homem mais gostoso do mundo. Fazia semanas desde sua última luta em um show semanal da Sociedade do Wrestling, e aquilo havia sido... relaxante. Depois de anos, finalmente encontrara tempo para terminar todas as temporadas de Gossip Girl, frequentar festas caríssimas e pondo mais uma bebida cara na conta da loucura, pique Bruno & Marrone.
ResponderExcluirPor outro lado, aquela pausa também trazia uma sensação incômoda. Como se, na ausência do verdadeiro destaque da empresa, tudo simplesmente tivesse seguido em frente. Como se sua presença não fizesse diferença, uma ideia tão absurda quanto irritante para alguém que sempre acreditou que o espetáculo só começava quando ele atravessava a cortina…..
Nic Nemeth: Por que diabos eu estou tão relaxado assim? Foi pra isso que eu aceitei sujar minhas botas com o sangue daqueles idiotas que enfrentei há um tempo? Pra acabar largado numa espreguiçadeira, como se eu fosse só mais um? Minha meta sempre foi me tornar a porra da atração principal do show. Ter um brilho tão absurdo que nem o Michael Jackson, no auge, se apresentando no Super Bowl ousaria me desafiar….. Me tornar uma atração no mesmo nível do John Lennon, com aquele cabelinho de vaca lambida, arrastando multidões por onde passasse com seus fiéis escudeiros. Mulheres gritando meu nome, fãs se estapeando por um autógrafo meu só pra depois venderem por uma fortuna no eBay…… where is it?!!!
A mesmice tava tão grande que eu até aluguei essa porra de Airbnb caríssimo com a grana que aqueles dois me pagaram pra destruir aqueles idiotas... Meu valor, no fim das contas, só tá sendo enxergado pelo Sandow e pelo Roode. Claro, isso tem suas vantagens. Os caras sabem reconhecer uma estrela quando veem uma. Mas ainda é pouco. Muito pouco. O brilho que eu tenho não foi feito pra impressionar duas pessoas. Foi feito pra iluminar uma arena inteira. Então eu me decidi.
Nic aproveitou o raro momento de silêncio. Pela primeira vez em dias, o Airbnb estava completamente vazio. Sem mulher querendo apenas o dinheiro dele e sem empresário querendo agir como sua babá. Com um sorriso convencido no rosto, desbloqueou o aparelho e abriu uma live nos Stories do Instagram. Quem sabe assim conseguisse se distrair um pouco..
A transmissão começou exatamente do jeito que qualquer um esperaria dele. A câmera desceu lentamente, revelando seu físico impecavelmente definido,"Hello, fellas!" cumprimentou, exibindo aquele sorriso confiante de quem já acreditava ter melhorado o dia de quem estava assistindo.
@HelloImNic: Tirei a bunda do sofá e resolvi correr atrás daquilo que sempre esteve destinado a repousar na minha cintura. Aquele cinturão que carrega a bandeira do país onde eu cresci... e que, por algum capricho do destino, está nas mãos de uma besta fantasiada de gótica de rolê na Liberdade, em São Paulo. Um sujeito que parece ter saído de um catálogo de moda alternativa, como diabos ELE representa o povo americano? A própria Lady Gaga do wrestling ta desfilando com o MEU título na cintura pra lá e pra cá, QUEM ELE pensa que é? Sai pra lá capeta.
Não tô poupando palavras, não. Já vou deixar bem claro: aquele vai ser o meu título. E não é só por glória pessoal ou pra sair levando o cinturão pras baladinhas da Tailândia como se eu fosse o protagonista de Se Beber, Não Case!. É porque alguém precisa arrancar aquele ouro das mãos de quem o desonra. E, se for preciso, eu mesmo visto a armadura e viro o maldito templário desta história. Vou arrancar aquele cinturão das mãos de quem carrega o nome da besta e devolver prestígio ao ouro. Porque esse título merece estar na cintura de uma estrela, não de alguém que parece ter sido rejeitado do teste de elenco da Wandinha….. Foi feito para um verdadeiro herói... alguém que represente a verdadeira imagem de um americano, alguém como eu.
ExcluirNic….? Vamos lá chat, continuem! Completem meu nome!
@FanDoTaker: Shut up Loser
@whoopthattrick: Desliga logo essa live cabeça de miojo.
@FedriceOficial: Prefiro o chefe da tribo.
~Você recebeu um donate de 5 reais~
Nic: Eu sei que vocês me amam fans! Sai pra lá Undertaker com esses fakes, aqui estou fechado é com o único que está acima de mim, GOD! E, se Deus resolveu escolher alguém pra colocar esse cinturão de volta no lugar onde merece estar... bom, acho que a escolha foi bem óbvia. ¯\_(ツ)_/¯
Agora... ainda sobrou uma pedra no meu sapato. Me explica uma coisa: qual é a obsessão dessa família em continuar colocando mais um samoano na minha frente? Vocês realmente não aprendem? Achei que ver um dos parentes andando por aí com o braço engessado já tivesse servido de recado, mas pelo visto inteligência não é um traço de família. E o mais engraçado é que continuam tentando vender esse cara como uma ameaça. Ameaça pra quem? O sujeito já apanhou de tanta gente que perdeu a conta. Já levou surra até do irmão do Taker, com aquela máscara de Sex Shop e agora querem convencer alguém de que ele vai fazer diferente comigo? Sinto muito, mas o que eu vejo não é falta de talento, Isso aí é preguiça de chegar ao topo, quando a oportunidade aparece, ele sempre encontra um jeito de desperdiçá-la.
Estou cagando e andando se esse cara andava pelos lugares mais perigosos do mundo. Pode apontar o cano de uma pistola na minha testa que a única reação que vai arrancar de mim é um sorriso, seguido de uma risada. Então esse é o grande representante da tão orgulhosa família samoana? Curioso. Porque, se a minha família me deixasse largado à própria sorte e eu acabasse vivendo como esse plebeu viveu, a primeira providência seria correr atrás de tirar esse sobrenome da minha certidão.
Enquanto ele insiste em sobreviver de lembranças, eu continuo fazendo aquilo que ele nunca conseguiu: criar o presente e definir o futuro. Eu não preciso de parente nenhum me empurrando até o topo. Os contatos que conquistei ao longo da minha carreira já me colocam exatamente onde eu quero estar. Essa oportunidade já demonstra isso. Sua selvageria? Isso é só o refúgio de quem não tem talento suficiente para vencer de outra forma. É o último recurso de mais um idiota que confunde brutalidade com grandeza. Enquanto ele tenta intimidar, eu simplesmente venço.
No final, guys, vocês só vão me ver fazendo o que eu faço de melhor: aproveitando mais um dia com um whisky na mão e uma água de coco do lado, na praia mais quente da Califórnia. Porque esse sou eu. Nic Nemeth.
A transmissão se encerra. O homem de sunga se levanta e dá mais um pulo na piscina, parecendo uma cópia pirata do Michael Phelps depois de vinte anos aposentado...
Nic Nemeth
Sansho cochicha em sua meditação: A arena está em silêncio. As luzes diminuem. Um canto grave, inspirado em antigos hinos persas, ecoa pelos alto-falantes. Sansho atravessa a cortina lentamente, vestindo um manto branco com detalhes dourados. Ao seu lado, Big Kahuna Joe aquece os ombros, impaciente para a luta. No ringue já aguardam dois representantes da FWC, sorrindo com desdém.
ResponderExcluirSansho sobe no ringue sem pressa. Recebe um microfone e encara os adversários antes de falar.
Sansho:
O problema do homem nunca foi a força.
O problema do homem... é querer sempre mais.
Mais poder.
Mais domínio.
Mais espaço.
Até que, para conquistar aquilo que deseja, ele ultrapassa a liberdade do outro.
Ele aponta para os lutadores da FWC.
Vocês são exatamente isso.
Uma empresa que jamais se preocupou com o wrestling de verdade.
Apenas com controle, propaganda e ego.
Sansho caminha lentamente pelo ringue.
O verdadeiro combate exige disciplina.
A princípio, bastaria imobilizar um adversário no chão, vencê-lo pela técnica, sem recorrer a socos diretos.
Muitos chamariam isso de antijogo.
Eu chamo de respeito.
Os dois invasores riem.
Mas existe um limite.
Sansho para diante deles.
Pessoas podem entrar neste centro do ringue...
...e escolher me desrespeitar.
Ele entrega o microfone ao árbitro sem desviar o olhar.
Então escutem meu único aviso.
Big Kahuna Joe sorri enquanto estala os dedos.
Não serei dócil por muito tempo.
Os dois parceiros recuam para seus respectivos cantos enquanto os invasores continuam provocando. O gongo soa. Sansho permanece imóvel, aguardando quem será o primeiro a ultrapassar o limite que ele acabou de estabelecer.
Na cultura persa, quanto mais você repetir, mais algo se torna realidade... Sansho: A arena está em silêncio. As luzes diminuem.
私たちは最高です。必ず勝ちます
ResponderExcluirKota ibushi
[Durante uma manhã ensolarada qualquer, os irmãos Bret e Owen desceram até o porão de sua casa localizada em Calgary, no Canadá. Lá estava ele intacto: o Hart Dungeon. Tomados pela nostalgia, os irmãos observavam o ambiente em que aprenderam tudo que os fizeram grandes vencedores. Não era um ambiente bonito, muito menos espaçoso, mas somente quem passou uma parte de sua vida ali sabia o quão especial o local era. A aparência não importava, o acolhimento muito manos, o mais importante era o que lhes seria ensinado dia após dia.]
ResponderExcluirBret: Você se lembra da primeira vez que pisamos aqui, irmãozinho? Éramos muito tolos. Quando nosso pai Stu disse que aprenderíamos o que era o wrestling de verdade, nossos olhos brilharam. Pensamos que seríamos levados a um grande centro de treinamento, que logo seríamos os melhores e que aprenderíamos tudo do dia pra noite.
Owen: Eu me lembro bem, irmão. Quando chegamos aqui, eu até perguntei para o nosso pai se ele estava bem, porque à primeira vista era só um lugarejo, não tinha nada de muito luxuoso. Os colchonetes eram duros que só, os aparelhos disponíveis pareciam velhos, havia folhas espalhadas por todas as partes, até mesmo pelas paredes!
Bret: E foi ali mesmo que ele nos mostrou a nossa segunda casa. Ele rapidamente estendeu um colchonete na nossa frente e te desafiou a derrubá-lo. Eu achei que seria um treino leve entre pai e filho, mas ele te jogou no chão e te prendeu em uma gravata com uma força que eu nunca tinha visto antes.
Owen: Você não precisava dar essa riqueza de detalhes, aquele dia foi difícil para mim (ambos riem). Você ainda foi esperto e recusou quando ele também te desafiou, mas nenhum de nós foi capaz de escapar do verdadeiro treino proporcionado por um Hart.
Bret: Por trás de um homem amável e que se importava com os filhos mais do que com qualquer outra coisa, havia nele um rigor jamais antes visto. Não é porque éramos filhos que estaríamos livres de golpes mais fortes, muito pelo contrário. Se não nos cansássemos por conta dos fortes golpes que recebíamos, éramos forçados a desistir via submissão. Nós nos questionávamos sobre o quão sábio, técnico e forte era nosso pai. Ele não só anotava os conceitos de cada golpe e ia colando nas paredes, mas também os aplicava e praticava sempre que podia. A repetição o levou à perfeição. A dor o levou à resiliência. O instinto vencedor o levou à glória. A técnica o aperfeiçoou. Ele foi nos transmitindo isso a cada treino intenso.
Owen: Se conhecêssemos somente a teoria, de nada nos serviria, mas nosso pai fez questão de nos mostrar a prática da mais bruta forma. Nela não havia bondade nem diálogo, mas também não haveria Petrovs, Kuzmins, Michaels e Flanders capazes de nos parar com o decorrer do tempo. Aqueles papéis esparramados pelo Hart Dungeon começaram a fazer sentido: nomes de golpes, de chaves e suas descrições tomaram forma na realidade. Aos poucos deixamos de ser máquinas teóricas e nos tornamos máquinas do pro-wrestling debaixo de muita dor, de muito suor e de muito sangue. Não importava o clima, a nossa disposição e o nosso ânimo, todos os dias nos reuníamos no mesmo local e no mesmo horário com um único propósito: vencer. Os bumps que tomávamos naqueles colchonetes duros passaram a nem fazer mais efeito e os golpes que tomávamos de nosso pai Stu passaram a ser previsíveis e suportáveis.
[Bret caminha até a parede, passa os dedos por um dos papéis antigos e velhos de Stu Hart, depois se vira diretamente para a câmera com o olhar frio e focado.]
Desde a nossa infância, nosso pai sempre nos disse que era necessário ter uma estratégia antes mesmo de cruzar a cortina e adentrar o ringue. Antes que a música toque, você precisa saber exatamente o que fazer, porque quando o gongo soa, aquilo se torna uma guerra. O wrestling é como uma dança onde você precisa antecipar cada passo do adversário, mas também é um campo de batalha onde você caça a fraqueza do inimigo. É o equilíbrio exato entre inteligência e técnica.
ExcluirMas sabe qual é o grande problema de se autoproclamar a "Glorious Intellect"? É que não adianta nada ter o intelecto se você não tem a capacidade física de executar o que planeja.
Vejam o Damien Sandow. Ele se veste como um gênio, fala como um salvador intelectual e acha que pode decifrar a Hart Foundation como se fôssemos um livro de biblioteca. Ele tem o raciocínio, ele tem a teoria, ele sabe no papel qual golpe poderia nos derrubar... mas ele consegue aplicar? Não. Ele não é capaz. Ele não tem o físico de um homem de Calgary, não tem o ritmo de combate e falta-lhe a técnica apurada que se aprende no chão batido deste porão. Damien Sandow tem um cérebro brilhante para discursos, mas no ringue, ele é um corpo vazio que vai quebrar no primeiro suplex.
E quanto ao parceiro dele? O homem que deveria ser a força bruta e o colosso técnico dessa dupla, Robert Roode? Enquanto nós passamos a juventude sangrando nesses colchonetes duros, Robert Roode gasta o seu tempo se olhando no espelho, preocupado com o brilho do seu roupão e com o glamour de sua entrada. Enquanto nós estudávamos anatomia humana para saber onde dói mais uma submissão, Roode estava ocupado demais esnobando os fãs e massageando o próprio ego.
A inteligência da Glorious Intellect veio com um preço alto demais, um preço que eles pagarão caro esta noite. Ela veio acompanhada da arrogância. E não há nada mais perigoso no pro-wrestling do que a arrogância de um ignorante que se acha sábio. Robert Roode acha que é "Glorioso", mas a glória não é algo que você compra em uma alfaiataria ou que você conquista posando para as fotos. A glória nasce aqui, no suor e no sacrifício. Sandow pode ter lido mil livros, mas nenhum deles ensina como escapar de um Sharpshooter aplicado de forma cirúrgica. Eles acham que o wrestling é um jogo de xadrez intelectual, mas nós vamos lembrá-los de que isso ainda é uma luta física de sobrevivência. Vocês estudaram o livro, mas nós escrevemos as regras. No papel, vocês se acham gênios, mas quando o sangue começar a esquentar e as suas articulações clamarem por misericórdia, vocês vão perceber da pior forma que nenhum diploma de biblioteca e nenhum corte de cabelo perfeito podem salvar dois covardes da nossa execução.
Quando aquele gongo soar, a teoria de vocês vai desmoronar diante da nossa execução. Eu vou desmontar o intelecto do Sandow membro por membro, e o Owen vai arrancar cada gota de glamour do Roode. Porque nós somos a Hart Foundation. E nós somos o melhor que existe, o melhor que houve e o melhor que sempre haverá!
[Owen se aproxima de uma folha de papel colada na parede, lê as anotações nela presentes e a amassa vagarosamente, atirando-a no chão.]
Owen: Roode, Sandow, vocês podem ter todo o domínio teórico referente ao pro-wrestling, mas de nada vale registrarem centenas de técnicas, de submissões e de golpes que exigem perfeição se há somente inteligência. O pro-wrestling requer prática, sangue e suor, e disso os Harts entendem melhor do que ninguém. Assim como a folha de papel que se tornou um nada com uma simples ação, vocês e a inteligência que ambos carregam serão amassados, reduzidos ao nada, porque nada é atípico para os Harts. Nada é surpreendente. Nada é inovador. Uma vez forjados pelos ensinamentos do Hart Dungeon, nada nos fará temer. Seja usando a inteligência, a força ou ambos, o destino de vocês será o mesmo da folha amassada há pouco: o chão duro e gelado em que pisamos.
Bret and Owen, The Hart Foundation.
A imagem surge lentamente em meio à escuridão. Não existe música, não existe anúncio e não existe qualquer identificação sobre onde aquela gravação está acontecendo. Aos poucos, a câmera revela um antigo teatro abandonado, com centenas de cadeiras vazias cobertas pelo tempo enquanto o palco permanece completamente silencioso. Durante anos, aquele lugar existiu para criar histórias, apresentar heróis e fazer pessoas acreditarem nos personagens que estavam diante delas, mas agora tudo que resta é a ausência dos aplausos e a sensação de que, quando as luzes se apagam, toda ilusão eventualmente encontra o seu fim.
ResponderExcluirNo centro do palco existe apenas uma única escada de metal. Ela não está cercada por ouro, não existe um cinturão esperando no topo e não existe qualquer símbolo de conquista. Ela permanece ali, fria e imóvel, representando apenas uma coisa: uma oportunidade que ainda precisa ser conquistada.
Darby Allin está sentado no primeiro degrau da escada, observando o palco vazio. Ele permanece em silêncio por alguns segundos, como se aquele lugar fosse exatamente onde deveria estar. Então ele levanta lentamente o olhar para a câmera.
É curioso como as pessoas enxergam oportunidades…
Elas olham para o resultado final, para o momento em que um homem está no topo, com a mão levantada e todos reconhecendo aquilo que ele conquistou. Mas quase ninguém presta atenção no caminho que existe antes disso,
porque antes de alguém receber uma oportunidade, existe uma pergunta que precisa ser respondida…
Você realmente merece ela?
Darby se levanta lentamente da escada e começa a caminhar pelo palco vazio. Seus passos ecoam pelo teatro abandonado, preenchendo um espaço que por muito tempo foi ocupado por aplausos, gritos e pessoas acreditando nas histórias que eram apresentadas diante delas. Ele passa a mão pelas cortinas antigas, agora rasgadas pelo tempo, como se estivesse sentindo as marcas deixadas por todas as apresentações que aconteceram naquele lugar.
Esse lugar já viu muitos personagens nascerem,
homens e mulheres que entraram por aquelas cortinas prometendo mudar tudo, dizendo que disseram ser diferentes, que seriam o futuro, que que carregavam algo que ninguém mais poderia carregar.
Mas existe algo que todo personagem enfrenta em algum momento… O momento em que a apresentação termina, porque enquanto as luzes estão acesas, enquanto a música toca e as pessoas estão aplaudindo, qualquer um consegue parecer especial e parecer maior do que realmente é, mas, a verdadeira pergunta sempre aparece quando tudo isso desaparece…
Quem você é quando ninguém está mais assistindo?
A câmera acompanha Darby até o centro do palco. Ele olha para cima, onde as antigas luzes do teatro permanecem desligadas.
É exatamente isso que essa luta representa, uma luta que não permite que ninguém se esconda, onde não existe parceiro para salvar você, não existe uma desculpa para justificar uma derrota ou uma narrativa bonita que possa proteger cinco homens quando eles forem eliminados um por um. No final, não importa quem vocês foram antes de entrar naquele ringue, o tamanho do nome que carregam ou quantas pessoas acreditam na história que vocês contam…
Excluir…Porque uma eliminação não pergunta quem você costumava ser… Ela pergunta se você ainda consegue continuar de pé mesmo diante de tudo que lhe faz ficar no chão.
Darby olha para a câmera enquanto a iluminação do palco começa a falhar lentamente.
Eu já enfrentei alguém que acreditava que seu passado era uma armadura… Alguém que entrou naquele ringue acreditando que décadas de história seriam suficientes para protegê-lo. Mas eu não entrei naquele ringue para enfrentar uma lenda, eu entrei para descobrir se ainda existia uma e quando a pressão apareceu, quando alguém finalmente deixou de olhar para a imagem e olhou para a pessoa, tudo aquilo começou a desmoronar.
Porque a maior fraqueza de uma mentira não é alguém tentar destruí-la, é ter alguém para simplesmente revelar a verdade.
Darby fica em silêncio por alguns segundos. Ele olha para o chão do palco, como se estivesse lembrando daquele momento. Então volta seu olhar para a câmera.
E agora, cinco homens terão que enfrentar o mesmo julgamento…
A câmera se aproxima enquanto Darby caminha até uma das laterais do palco, onde antigos cartazes rasgados de apresentações antigas permanecem pendurados. Ele passa por eles sem demonstrar interesse.
Existe uma coisa que eu respeito em você CM Punk… Você nunca foi um homem que esperou que alguém entregasse algo para você, você construiu seu caminho quando ninguém acreditava que você deveria estar naquele lugar, enfrentando empresas, pessoas e sistemas inteiros para provar que um homem poderia lutar contra aquilo que parecia maior do que ele, mas talvez seja justamente por isso que essa luta seja mais perigosa para você do que para qualquer outro, porque você conhece o peso de uma queda e sabe como é quando as pessoas começam a olhar para tudo que você conquistou e transformam sua história em uma lembrança ao invés de uma ameaça.
Você fala sobre recomeçar, sobre provar que ainda consegue chegar ao topo e que vai fazer o impossível para recuperar aquilo que acredita que ainda pertence a você, mas existe uma pergunta que você precisa responder, Punk… Você está tentando conquistar um novo capítulo ou está tentando desesperadamente convencer todos de que o capítulo antigo ainda não acabou?
Porque nessa luta, o homem que entrar preocupado em provar quem já foi vai perder para o homem disposto a mostrar quem é agora.
Darby continua caminhando pelo palco enquanto uma leve névoa começa a surgir próxima aos seus pés, quase imperceptível.
Já você Del Rio, talvez seja o maior exemplo de alguém que confundiu uma imagem com uma identidade, já que você sempre falou como um campeão, se apresentando como alguém destinado ao topo. Sempre existiu uma certeza nas suas palavras, como se o mundo simplesmente precisasse aceitar aquilo que você já decidiu sobre si mesmo,mas existe uma diferença entre acreditar no próprio potencial e acreditar que você merece algo apenas porque acha que merece.
Você fala sobre ser um rei, sobre ser superior achando estar acima dos outros homens nesse negócio, mas réis de verdade não precisam que alguém esteja ao lado deles repetindo sua grandeza apenas para agradar um ego frágil… Os reis demonstram isso quando estão sozinhos, sem depender de terceiros e essa é a parte que mais incomoda você, Alberto.
Porque quando a apresentação termina, quando Ricardo Rodriguez não está anunciando seu nome, quando não existe uma entrada luxuosa ou uma promessa de grandeza, existe apenas o frágil Alberto Del Rio, o homem que você mais tenta esconder.
A câmera permanece em Darby enquanto ele continua caminhando pelo palco. A névoa começa a se espalhar lentamente pelo chão do teatro, mas não toma conta do ambiente completamente. Ela apenas permanece ali, como uma presença silenciosa observando cada movimento. Darby passa diante de uma cortina rasgada e para por alguns segundos, encarando o vazio atrás dela.
ExcluirVampiro… Você chegou aqui dizendo que não veio para seguir regras, buscar aprovação ou amizades e que não precisava da permissão de ninguém para fazer aquilo que acredita…Talvez essa seja a razão pela qual algumas pessoas olham para você e enxergam perigo, pois existe algo assustador em um homem que acredita não ter nada a perder, mas existe uma diferença entre alguém que aceita o caos e alguém que usa o caos como uma desculpa para esconder aquilo que realmente é.
Você fala como se fosse uma força impossível de controlar, como se destruição fosse sinônimo de liberdade, como se deixar rastros de violência fosse uma prova de que ninguém pode tocar em você, mas homens como você cometem o mesmo erro todas as vezes…
…Eles acreditam que são os responsáveis pelo caos, quando na verdade são apenas mais uma coisa que o caos irá consumir, pois, no momento em que você entra em um ambiente onde todos estão dispostos a destruir, você deixa de ser especial, deixa de ser o monstro e se torna apenas mais um corpo esperando descobrir quem será o próximo a cair.
Essa luta vai mostrar algo que talvez você nunca tenha aceitado… Você não é aquele que controla a destruição, mas é apenas alguém que nunca encontrou uma força capaz de destruí-lo primeiro.
Darby se afasta do palco e volta em direção à escada. Ele olha para os degraus por alguns segundos antes de subir lentamente. A cada passo, o som ecoa pelo teatro vazio.
O seu caso é diferente, Suzuki, você não precisa criar uma história sobre quem é, não precisa convencer ninguém de que é perigoso. O seu nome carrega um peso porque suas ações fizeram isso antes de qualquer palavra.
Você representa algo que poucos homens conseguem representar, medo verdadeiro, mas existe uma coisa que homens como você costuma esquecer, o medo funciona enquanto as pessoas acreditam que existe algo a perder…
Esse é o problema…
Eu já perdi coisas que muitos homens ainda tentam proteger… Eu já aceitei a dor, a queda e as consequências muito antes de entrar naquele ringue. Então quando você olhar para mim e tentar encontrar hesitação, quando tentar encontrar aquele segundo em que um homem pensa duas vezes antes de continuar… Você não vai encontrar.
Porque você passou sua carreira sendo o homem que faz os outros descobrirem seus limites. Mas nessa luta, Suzuki… Você vai descobrir o limite de alguém que nunca teve medo de ultrapassar o próprio
Darby chega ao topo da escada. A visão do teatro inteiro se abre diante dele. As cadeiras vazias parecem observar aquele momento como uma plateia silenciosa.
E existe ainda um último homem, cujo nome ainda não foi revelado…
…Antes de uma pessoa conhecer você, ela cria uma expectativa,elas imaginam uma história, criam uma imagem. Decidem se você será uma ameaça ou apenas mais alguém tentando conquistar seu espaço…Mas as expectativas são frágeis, elas podem transformar alguém em uma estrela antes mesmo da primeira luta ou podem destruir alguém no instante em que a realidade não corresponde à fantasia.
Você terá uma oportunidade que muitos homens gostariam de ter, chegar sem carregar o peso de um passado, mas também terá algo que nenhum de nós pode evitar, o momento em que precisará provar quem realmente é.
Darby permanece no topo da escada enquanto a iluminação do teatro começa a diminuir. Apenas um foco de luz permanece sobre ele.
No final, essa luta não será decidida pelo homem com a maior história ou pelo homem com o maior nome ou que mais convenceu as pessoas de que merece estar aqui, mas será decidida pelo homem que conseguir continuar depois que todos os outros forem obrigados a parar.
Darby olha para baixo, observando o palco.
ExcluirCM Punk tem uma história que tenta resgatar, Del Rio uma imagem que tenta proteger, Vampiro tem um caos que acredita controlar, Minoru Suzuki tem uma reputação que todos respeitam e o desconhecido terá uma expectativa para carregar.
Ele toca o próprio peito.
Mas eu tenho algo que nenhum de vocês pode carregar, eu tenho a certeza de quem eu sou, não preciso que uma multidão me diga que sou importante, muito menos que um passado me proteja. Eu não preciso que ninguém crie uma história para mim, porque eu já aceitei aquilo que todos vocês tentam evitar…
… A queda…
A névoa começa a subir pelos degraus da escada.
E é exatamente por isso que eu vou vencer, porque enquanto todos vocês entrarão naquela luta tentando sobreviver o suficiente para alcançar uma oportunidade… Eu vou entrar sabendo que cada eliminação é apenas mais um passo para provar que eu pertenço ao lugar onde todos vocês estão tentando chegar.
A Oportunidade de lutar pelo título será conquistada pelo homem que mais deseja estar lá, pelo homem que está disposto a destruir tudo no caminho até ela.
Darby olha diretamente para a câmera.
Quando o último homem cair, quando a última contagem de três acontecer e quando todos perceberem que cinco pessoas foram eliminadas por alguém que nunca teve medo de perder nada… A Wrestling Society finalmente entenderá que eu não sou o homem esperando uma oportunidade… Eu sou o motivo pelo qual todos os outros precisam lutar para ter uma.
A luz se apaga completamente. A última imagem é apenas Darby envolto pela névoa.
E quando ela finalmente chegar até vocês… Não vai apagar seus nomes, vai revelar que, no fim, eles nunca foram fortes o bastante para permanecerem.
A tela fica preta encerrando o seguimento
O vídeo se inicia em uma sala reservada da arena. Bobby Roode e Damien Sandow estão sentados um de frente para o outro. Diferentemente da semana anterior, o clima não é de inconformismo. A “vitória” conquistada na última rodada parece ter devolvido à dupla a tranquilidade de sempre. Calmamente, Bobby Roode recosta-se na cadeira e volta sua atenção para a câmera.
ResponderExcluirRoode: Engraçado como o passar do tempo é suficiente para mudar completamente o rumo de uma competição. Há poucos dias, existiam pessoas questionando Bobby Roode e Damien Sandow. Diziam que a derrota na estreia havia exposto nossas limitações, que talvez esta parceria fosse apenas uma boa ideia no papel. Só que nossa parceria nunca existiu apenas para dividir um mesmo ringue. Ela nasceu de um propósito em comum. Da união entre dois homens que se recusam a aceitar qualquer coisa abaixo da excelência.
Dizem que coincidências acontecem o tempo todo. Eu, particularmente, nunca fui um homem que acreditou muito nelas. Um ataque, uma desistência e um novo cenário dentro da World Tag League. E o mais curioso de tudo? Nós sequer precisávamos dizer uma palavra e mesmo assim, nossos nomes continuaram sendo assunto. Isso acontece quando você ocupa uma posição que poucos conseguem alcançar. Enquanto algumas equipes lutam para chamar atenção, outras simplesmente atraem os olhares por onde passam. Essa sempre foi a diferença entre homens comuns e homens como Bobby Roode e Damien Sandow. Alguns entram em um torneio tentando escrever a própria história. Outros simplesmente mudam o rumo da história de todos os que estão ao seu redor.
E é justamente aí que chegamos aos nossos próximos adversários: Bret. Owen: Hart Foundation. Eu fiquei observando vocês no decorrer desse torneio e cheguei a uma conclusão curiosa. Toda vez que Bret Hart abre a boca para falar sobre si mesmo, inevitavelmente acaba falando sobre a família Hart e o próprio passado. Sobre sua linhagem. Sobre a história construída pela sua família. Sobre o legado que recebeu.
E eu me pergunto. Em que momento Bret Hart deixou de ser apenas Bret Hart?
Porque nós jamais precisamos lembrar às pessoas quem veio antes de nós para justificar quem somos hoje. Nossos sobrenomes nunca entraram em um ringue. Nosso passado nunca venceu uma luta por nós. Nossos legados jamais foram presentes entregues por outras pessoas. Eles foram construídos. Moldados pelo trabalho. Consolidados pelos resultados. E, acima de tudo, conquistados por dois homens que nunca precisaram viver à sombra de ninguém para serem reconhecidos.
E talvez seja justamente aí que exista a maior diferença entre nós. Enquanto Damien Sandow e eu construímos nossa identidade sem depender do nome de ninguém, vocês passaram a carreira tentando corresponder ao peso de um sobrenome que sempre falou antes de vocês.
Bret escolheu carregá-lo como um símbolo. Enquanto Owen passou a vida inteira tentando provar que era capaz de sustentá-lo sozinho. E eu até entendo. Não deve ser fácil viver constantemente comparado ao próprio irmão. Passar anos ouvindo que você é talentoso, mas nunca o bastante para ocupar os grandes momentos. Que merece reconhecimento, mas sempre um degrau abaixo daquele que caminha ao seu lado. Talvez seja exatamente por isso que você passe tanto tempo tentando convencer as pessoas de quem realmente é. Só que essa necessidade de provar alguma coisa sempre foi a maior diferença das nossas realidades. Você entra em um ringue buscando reconhecimento, nós entramos em um ringue já sendo reconhecidos. E essa diferença muda completamente a forma como uma equipe é construída.
Vocês se unem pelo peso de um sobrenome e a responsabilidade de honrá-lo. Nós nos unimos porque enxergamos um no outro a mesma ambição, a mesma mentalidade e a mesma obsessão. Enquanto vocês carregam a expectativa de preservar um legado, nós temos a liberdade de escrever o nosso do zero. E quando essas duas filosofias se colidem, o passado deixa de importar. O que realmente importa é quem consegue provar, no presente, que merece permanecer no topo.
Damien Sandow: Curiosamente, Bobby, existe um conceito bastante discutido na filosofia política chamado "razão de Estado". A ideia é simples, embora sofisticada demais para a maioria das pessoas que acompanha este esporte compreender. Segundo essa perspectiva, determinadas ações deixam de ser avaliadas pela moralidade e passam a ser julgadas exclusivamente pelo resultado que produzem. O homem comum costuma chamar isso de falta de escrúpulos. Os grandes estrategistas chamam de necessidade. E essa distinção explica perfeitamente por que tantas pessoas ficaram escandalizadas com os acontecimentos da última rodada.
ExcluirDe repente, todos descobriram um apreço pela ética. Todos passaram a defender a honra da competição. Interessante. Porque eu jamais vi esse mesmo público protestar quando a força bruta substituiu a inteligência, mas basta uma demonstração de estratégia para que todos entrem em colapso moral. Isso acontece porque a inteligência sempre foi a maior afronta ao homem mediano. Ela o lembra, a cada instante, da distância que existe entre quem pensa e quem apenas reage. O ataque aos GoD não foi um ato de fúria. Foi uma decisão calculada. Enquanto outras equipes se preparavam para lutar dentro do ringue, a Glorious Intellect já compreendia que um torneio jamais se restringe às cordas que delimitam o combate. O tabuleiro sempre foi maior do que vocês imaginam e algumas peças apenas demoram mais para perceber que já estão sendo movimentadas. É exatamente por isso que me diverte observar a indignação coletiva, afinal, ela revela uma ingenuidade quase infantil. Vocês acham que estratégia se limita aos segundos em que o árbitro ordena o toque do sino? Não. Isso é apenas a manifestação mais simplória da competição. Os verdadeiros confrontos começam muito antes da luta e frequentemente terminam muito depois dela. Homens extraordinários compreendem isso. Homens comuns chamam de trapaça porque não possuem capacidade intelectual suficiente para reproduzir o mesmo raciocínio.
E então chegamos aos Hart. Dois homens cuja identidade inteira foi construída sobre um conceito curioso: tradição. Schopenhauer dizia que cada geração acredita herdar a verdade da anterior, quando na realidade apenas herda seus preconceitos. Eu sempre achei essa observação brilhante, porque vocês passaram a vida inteira acreditando que carregar um sobrenome significava carregar uma missão. Como se o simples fato de pertencerem à família Hart os colocasse em uma posição intelectualmente privilegiada. Permitam-me decepcioná-los. A tradição possui uma característica fascinante: ela costuma produzir homens extremamente disciplinados, mas raramente produz homens verdadeiramente criativos. Afinal, quem vive para preservar um legado dificilmente encontra coragem para reinventá-lo. Vocês lutam como a Hart Foundation deve lutar. Pensam como a HF deve pensar. Existe algo quase litúrgico nisso. Vocês não competem para descobrir novos caminhos, mas para confirmar antigos dogmas. Enquanto isso, Bobby e eu jamais aceitamos qualquer tipo de ortodoxia. Nós não respeitamos convenções. Nós as substituímos. Não seguimos métodos. Nós os criamos. Vocês ainda enxergam wrestling como um confronto físico e nós o enxergamos como um problema estratégico. Problemas estratégicos jamais são resolvidos pela força, mas pela inteligência aplicada. É justamente essa diferença que definirá o resultado deste combate.
Para vocês, é apenas mais uma luta. Para nós é a execução de um plano muito maior, porque enquanto vocês dedicam tempo preservando aquilo que receberam, nós utilizamos nosso tempo moldando aquilo que será lembrado, e a história demonstra, repetidas vezes, que civilizações inteiras foram derrotadas não pelos fortes, mas pelos capazes de pensar um movimento além. Vocês representam a tradição. Nós representamos a evolução intelectual da competição. E quando tradição encontra evolução, existe apenas um desfecho possível: O passado se torna objeto de estudo... enquanto o futuro passa a nos pertencer.
Após a fala, a gravação se encerra suavemente.
O lutador imponente se coloca encostado em um equipamento no backstage. BKJ repousa por alguns instantes antes de começar a enfaixar seu braço, minutos antes de adentrar na arena lotada que clama pelo seu nome: JOE, JOE, JOE!
ResponderExcluirA maioria das pessoas olha para esta luta e enxerga uma disputa entre empresas. Wrestling Society de um lado. FWC e Big Mouth Loud do outro. Três logotipos diferentes, três bandeiras diferentes, três públicos diferentes. É curioso como o ser humano sente necessidade de simplificar tudo aquilo que não consegue compreender. Eles precisam transformar qualquer conflito em uma guerra de cores, marcas e alianças porque isso torna a realidade mais confortável. Só existe um problema: eu nunca lutei por uma empresa. Nunca entrei em um ringue pensando no prestígio de uma marca estampada no telão. Nunca precisei que um grupo me dissesse quem eram meus aliados ou meus inimigos. Eu sempre entrei em um combate representando uma única coisa: a certeza de que, quando o sino toca, existe um homem mais perigoso do que todos os outros. E esse homem sou eu. Se amanhã a Wrestling Society deixasse de existir, eu continuaria sendo Big Kahuna Joe. Se a FWC fechasse as portas ou a Big Mouth Loud desaparecesse do mapa, Ludwig Kaiser e Seth Rollins continuariam sendo os mesmos homens que terão de dividir um ringue comigo. Empresas mudam. Alianças mudam. Campeonatos mudam de dono. A única constante neste negócio continua sendo a violência aplicada por homens dispostos a fazer aquilo que os outros não têm coragem.
Na semana passada, vocês decidiram me atacar nos bastidores. Uma decisão interessante. Estratégica, até. Dois homens contra um. Um ataque antes da luta. Um recado enviado sem que fosse necessário esperar o toque do sino. Eu poderia ficar indignado. Poderia subir aqui dizendo que fui traído, que fui emboscado ou que vocês cruzaram uma linha. Mas isso seria uma reação de alguém que ainda acredita que este esporte possui algum código moral. Eu não acredito nisso há muitos anos. Eu não condeno a emboscada. Eu condeno apenas a incompetência. Porque se dois homens resolvem me atacar antes da hora e mesmo assim falham em impedir que eu continue caminhando até este combate, então tudo o que conseguiram fazer foi confirmar aquilo que eu já sabia: vocês me enxergam como um problema grande o suficiente para precisar de vantagem numérica. Isso não me ofende. Isso me diverte.
Ludwig Kaiser continua preso à própria necessidade de parecer superior. Existe uma diferença enorme entre carregar postura e carregar presença, mas homens como você jamais compreenderão isso. Você acredita que inteligência se demonstra através da forma como fala, da elegância dos gestos, da maneira como se apresenta ao mundo. Eu aprendi que inteligência se mede pelos resultados das decisões que tomamos. E a sua primeira grande decisão foi acreditar que um ataque pelas costas diminuiria a distância entre nós. Não diminuiu. Apenas adiou o inevitável. Porque quando finalmente estivermos diante daquela escada, sem corredores estreitos, sem paredes e sem oportunidades para fugir das consequências, você descobrirá que existe uma enorme diferença entre surpreender alguém... e conseguir vencê-lo.
Quanto a Seth Rollins... você sempre me pareceu um homem extremamente confortável vivendo dentro do caos. Um sujeito que acredita que imprevisibilidade é sinônimo de controle. Que quanto mais confusão existir ao seu redor, maiores serão suas chances de sobreviver. O problema é que o caos nunca foi capaz de intimidar alguém que sabe exatamente para onde está indo. Tempestades assustam marinheiros perdidos. Eu sempre soube qual era o meu destino. E quando um homem possui direção, pouco importa quantos obstáculos aparecem no caminho. Eles deixam de ser obstáculos e passam a ser etapas.
Muitos esperam que eu fale sobre Sansho agora. Sobre como faremos uma grande dupla, sobre confiança, respeito ou espírito de equipe. Seria um belo discurso. Também seria uma mentira. Sansho não é meu amigo. Não preciso que seja. Não confio nele e imagino que o sentimento seja recíproco. Mas existe uma enorme diferença entre amizade e interesse. Amigos lutam lado a lado porque gostam uns dos outros. Profissionais lutam lado a lado porque compreendem que, naquele momento, seus objetivos caminham na mesma direção.
ExcluirÉ exatamente isso que acontece aqui. Quando o combate começar, eu não estarei preocupado em construir uma parceria para o resto da vida. Estarei preocupado apenas em garantir que Ludwig Kaiser e Seth Rollins saiam daquele ringue entendendo uma coisa: o ataque da semana passada não foi um aviso. Foi um erro.
Porque toda ação produz uma consequência. Alguns homens descobrem isso imediatamente. Outros precisam esperar um pouco mais. Vocês terão essa oportunidade. Nesta luta terão apenas uma amostra. Um breve vislumbre do que acontecerá quando finalmente estivermos frente a frente na Ladder Match pelo NWA Worlds Championship. Naquele dia não existirão parceiros temporários. Não existirão empresas para representar. Não existirão desculpas para esconder a própria incapacidade. Existirão apenas homens separados por uma escada... e um campeonato no topo dela. Mas antes disso existe esta noite. E ela servirá para uma única finalidade. Fazer com que Ludwig Kaiser e Seth Rollins compreendam que atacar Big Kahuna Joe nunca reduz o perigo que ele representa. Apenas aumenta a violência da resposta. Porque eu não esqueço. Eu não perdoo. E acima de tudo... eu sempre cobro a dívida com juros.
Big Kahuna Joe
Todo mundo tem medo de alguma coisa. Medo de morrer. Medo de altura. Medo de tomar um tiro. Sei lá, todo mundo tem um medo. Sabe qual o meu medo? Medo de não ter vivido o maximo de cada dia da minha vida. Eu realmente vivo pelo mantra de todo dia pode ser o nosso ultimo dia. Sendo assim, eu faço tudo o que eu tenho vontade de fazer. Eu não sou de medir riscos. Eles dizem que eu sou maluco por fazer as coisas que eu faço desde novo. Eu ja pulava de escadas desde os 14 anos. Eu já arrebentei as minhas costas com arame farpado mais vezes do que eu fui no medico na minha vida toda. Eu realmente gosto de viver, mano.
ResponderExcluirEles dizem que eu sou louco mas bem, olha onde eu estou agora? Eu estou na Wrestling Society lutando por uma chance ao um dos titulos de maior prestigio dessa industria. Viver do jeito que eu vivi até o dia de hoje me trouxe até aqui então você pode acreditar que hoje eu vou continuar a fazer o que eu sempre faço. Eu vou viver ao maximo. Eu vou pular de escadas. Eu vou usar tudo ao meu favor. Eu vou quebrar mesas. Eu vou estourar cadeiras nos meus adversários. Inferno, eu vou levar meu isqueiro comigo. Talvez eu coloque fogo em alguém se for preciso!
Esse é o meu nivel. Eu faço o que for necessario para poder viver e sobreviver mais um dia. Logo logo, todo mundo irá entender isso. Querendo ou não.
Ah, meu nome é Drew Parker e… Eu não quero morrer hoje.
Eu e Mistico seguimos avançando, conquistando vitória atrás de vitória com o único objetivo de chegar na final da World Tag League.
ResponderExcluirInfelizmente pros irmãos Rhodes, nós não pretendemos perder.
El Más Buscado;
Un Hijo de las Estrellas;
Bandido.
Eu não gosto de desperdiçar palavras, então é bom que vocês escutem com atenção. Em minha primeira luta na Society, o maldito Josh Bishop levou a melhor e eu aplaudi.
ResponderExcluirAgora, eu estou de volta buscando uma vaga pela Ladder Chaos e eu não pretendo fazer nada além de destruir todos os outros participantes da luta.
I'll destroy all of them.
A gravação se inicia no mesmo teatro vazio. As poltronas permanecem desocupadas, enquanto um único feixe de luz amarelada ilumina o centro do palco.
ResponderExcluirDiferente da última vez, não há passos ecoando pelo ambiente.
Seth Rollins já está ali, sentado confortavelmente em uma elegante cadeira posicionada no centro do palco, ele cruza uma perna sobre a outra. Vestindo seu extravagante terno estampado, mantém um sorriso discreto no rosto enquanto observa o silêncio à sua frente, como se admirasse uma plateia invisível.
Durante alguns segundos, nenhuma palavra é dita, apenas é possível escutar o som de seus dedos tamborilando lentamente sobre o braço da cadeira quebra o silêncio.
Seth inclina levemente a cabeça, encara diretamente a câmera e sorri.
Seth Rollins: Engraçado...
Na última vez que estive neste palco, eu disse que um espetáculo começa muito antes das luzes se acenderem. E eu estava certo.
Porque bastou uma única aparição para que toda a Furious Wrestling Company deixasse de falar sobre campeonatos e começasse a falar sobre Seth “Freakin' Rollins.
Seth mantem o sorriso, apoiando o cotovelo sobre o braço da cadeira.
As pessoas acreditam que um espetáculo começa quando o primeiro ator pisa no palco, mas elas esquecem de uma coisa.
Antes de qualquer espetáculo, existe um roteiro, uma intenção e acima de tudo, uma história esperando para ser contada.
Na semana passada, muitas pessoas enxergaram aquilo apenas como um ataque. Viram Big Kahuna Joe invadindo um espaço que jamais lhe pertenceu. Viram Shane McMahon ser colocado contra a parede, mas, logo em seguida, algo muito mais importante aconteceu.
As estrelas da noite finalmente entraram em cena.
Porque toda grande história precisa de protagonistas. E quando a Furious Wrestling Company precisou responder à provocação da WS, ela não enviou qualquer um.
Ela colocou sob os holofotes dois homens que nasceram para ocupá-los: Ludwig Kaiser... e Seth “Freakin' Rollins.
Porque é assim que toda grande história funciona.
Existem aqueles que acreditam estar escrevendo o roteiro e existem aqueles que simplesmente nasceram para protagonizá-lo.
Joe, você achou que pisaria na Furious Wrestling Company e faria dela o cenário para o seu próprio espetáculo.
Você estava errado, porque, no exato instante em que nós aparecemos, o roteiro deixou de ser seu.
Você continuou dentro da cena, mas já não era mais o personagem principal, era apenas mais um coadjuvante.
E talvez seja exatamente esse o motivo pelo qual você nunca compreenderá homens como eu, Joe.
Você passa tanto tempo dizendo que trabalha com fatos que se esqueceu de como eles são criados.
Fatos não surgem do nada, eles nascem de momentos. E momentos pertencem àqueles que são capazes de mudá-los.
Você acredita que um grande impacto é medido pela força de um golpe.
Eu acredito que ele é medido pelo silêncio que fica depois que tudo acontece.
Na semana passada, você fez exatamente aquilo que pretendia fazer.
Atacou Shane McMahon, chamou a atenção de todos.
Parabéns. Só que tem um problema: Eu apareci.
E, naquele instante, você deixou de controlar a narrativa.
Porque ninguém saiu daquele show perguntando por que Big Kahuna Joe atacou diretamente o representante da FWC.
Eles saíram falando do homem que interrompeu o seu espetáculo.
Essa sempre foi a diferença entre nós.
Você acredita que basta acontecer, eu faço questão de ser lembrado. Você luta para criar fatos, eu transformo fatos em história.
É por isso que você insiste em dizer que não está interessado em roubar o show, porque, no fundo, você sabe que nunca conseguiria.
E não estou dizendo isso porque você não seja perigoso, muito pelo contrário.
Eu sei exatamente o homem que estará do outro lado do ringue, mas existe uma diferença entre ser perigoso e ser inesquecível.
Homens perigosos aparecem em todas as gerações, mas homens capazes de mudar o rumo da história. Esses são raros.
E é exatamente por isso que, toda vez que Seth “Freakin' Rollins entra em cena, o roteiro precisa ser reescrito.
TO BE CONTINUED
Mas talvez esse nem seja o maior problema da Wrestling Society, porque, por mais convicto que você pareça ser, Joe, pelo menos você sabe exatamente quem é.
ExcluirO mesmo não pode ser dito sobre o homem que estará ao seu lado.
Sansho, um homem que passou tanto tempo lutando contra si mesmo que parece ter esquecido como é enfrentar outra pessoa.
Enquanto você tenta convencer o mundo de que nada importa além dos fatos.
Ele ainda tenta decidir qual versão de si mesmo atravessará aquelas cordas.
E isso me faz pensar... Como alguém pode dividir um ringue comigo quando sequer consegue dividir espaço com a própria consciência?
Eu ouvi tudo o que você tinha para dizer, Sansho.
Sobre luz, trevas, equilíbrio.
Sobre uma batalha travada dentro da própria alma.
E, sinceramente... Enquanto você procurava respostas dentro de si, eu estava ocupado mudando aquilo que acontecia ao meu redor.
Essa sempre foi a diferença entre nós.
Você acredita que o maior inimigo da sua carreira vive na sua própria mente.
Eu sei exatamente onde o meu está.
Bem à minha frente.
Você passa tanto tempo tentando descobrir qual versão de si mesmo merece existir, que acabou se esquecendo de uma verdade muito simples.
Quando aquele sino tocar, não será o "Sansho do Bem" ou o "Sansho do Mal" que estará diante de mim. Será apenas Sansho.
E isso é tudo o que eu preciso, porque o wrestling não espera que um homem resolva seus conflitos internos.
Ele cobra decisões, presença. Ele cobra homens capazes de assumir o centro do palco sem hesitação.
Você ainda procura uma identidade, Joe acredita que já encontrou a dele.
E eu nunca precisei procurá-la.
Desde o momento em que coloquei os pés nesta companhia, eu soube exatamente qual era o meu papel.
Não importa quem esteja do outro lado do ringue.
Não importa qual bandeira carreguem.
Quando as cortinas se abrirem...
Quando os holofotes se acenderem...
Quando essa história chegar ao seu capítulo mais importante...
Existirá apenas um homem capaz de conduzir o espetáculo ao seu verdadeiro desfecho.
Seth.
“Freakin”
Rollins.
Seth mantém o olhar fixo na câmera por alguns instantes. O sorriso em seu rosto desaparece lentamente, dando lugar a uma expressão séria e confiante. Sem dizer mais uma palavra, ele se levanta da cadeira e ajusta o paletó.
Por um breve momento, encara o palco vazio à sua frente, como se contemplasse um espetáculo que, em sua mente, já se acabou.
Ele vira as costas para a câmera e caminha calmamente em direção às cortinas. Antes de desaparecer, os holofotes se apagam um a um, mergulhando o teatro na escuridão. A tela escurece, sendo a deixa para o fim da gravação.
Seth "Freakin" Rollins