CARD - WORLD TAG LEAGUE - DAY 5

   


 LOCAL DO EVENTO

Enterprise Center - Missouri, Estados Unidos
Capacidade: 22.000 pessoas

THEME SONG
Veer Union - Seasons

POSTER PROMOCIONAL

CARD

World Tag League - 5th Round Match: Brothers of Destruction (US Champion The Undertaker e Kane) vs. Hart Foundation (Bret e Owen Hart)
A Hart Foundation tem a chance de derrotar Taker e Kane pra forçar uma luta de desempate pela liderança do grupo!

World Tag League - 5th Round Match: Berzerk (Lord Taichi e Tobiasuya Naito) vs. Hijos de las Estrellas (Bandido e Mistico)
O grupo A terá a liderança definida de vez no grande combate de Taichi e Naito contra Mistico e Bandido!

World Tag League - 5th Round Match: Soviet Suplex Syndicate (Leon Dragunov e Oleg Boltin) vs. The Glorious Society (Damien Sandow e Robert Roode)
Sandow e Roode precisam de uma vitória pra buscar a luta de desempate, e eles vão colidir com Dragunov e Boltin pra isso!

World Tag League - 5th Round Match: Gloden Shower (Cody Rhodes e Goldust) vs. The Dogs (Clark Connors e David Finlay)
Já sem chance de classificação, os irmãos Rhodes vão colidir com The Dogs pra sair por cima no último combate!

Singles Match: Big Kahuna Joe vs. Sansho
Sansho atacou Joe pelas costas no último show e "The Destroyer" quer sua vingança antes da Ladder Chaos!

Singles Match: Darby Allin vs. "Dirty Dom" Dominik Mysterio
Dominik se revelou como um dos representantes da BML na Ladder Chaos e atacou Darby, culminando numa luta entre os dois!

PROMOS: Até as 23:59 do dia 29 de julho (Quarta-feira) 

Comentários

  1. #KyoSection
    #WhereIsKyo
    #DondeEstaElMejorLuchador
    #Lucha4Life

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  2. A câmera liga. A imagem é gravada no formato vertical, de dentro de um Bugatti Chiron em alta velocidade, iluminado apenas pelas luzes da cidade que passam borradas pelos vidros.

    Full Package Mogger está no volante, vestindo um smoking de veludo sob medida. Ele segura o celular com uma mão, o pulso adornado por um relógio suíço de meio milhão de dólares.

    "Midnight Violence...

    ...Esses betas não têm jeito. Olha o nome patético que eles escolheram para o show que contará com o ápice da genética humana, eu, Full Package Mogger, irei moggar todos os seres vivos do planeta e sair com o título mundial! Qual é o próximo? Milkshakes with Cheetos?

    Vocês todos estão larpando. Eu sou real! Eu sou o Full Package Mogger! Eu sou mais rico, mais forte e mais chad que todos vocês!

    E falando em larpers....Oba Femi. Você é uma piada, betinha! Com esse corpo cheio de GH barato, você acha que é alguém. Eu sinto cheiro de frango de longe! Vá aplicar seu GH! E quando você terminar, saiba que esse aqui (Mogger aponta pro braço esquerdo) é irmão desse aqui (aponta pro braço direito). E esses dois são irmãos desses aqui (Mogger bate no seu peitoral)! E eles fazem pá-pum na sua cara! Otário!

    Mogger começa a rir silenciosamente enquanto passa por um sinal vermelho.

    "....Akira Hokuto é o outro suposto ser vivo nesse combate. Foid, escute com atenção: tentar emitir uma energia masculina forçada, sendo agressiva e carrancuda, não vai compensar a sua falta de estética de elite e um filho para você cuidar...

    Uma mulher tentando ser alfa? Faça-me um favor. A sua aura inteira é uma falha no sistema. Volte para o Japão, invista em um skincare de qualidade e pare de fingir que você entende como o mercado de Alto Valor funciona. O Top M não se intimida por uma cosplayer!"

    Mogger quase atropela um pedestre e segue...

    "...No Midnight Violence, eu não vou lutar contra você, Oba. Eu vou aplicar uma lição. Eu vou entrar naquele ringue, ignorar a foid, jogar você no meu Framemogger e dobrar essa sua espinha torta até você entender quem é que manda....

    O Campeonato Mundial não pertence à classe baixa da genética.... Ele pertence ao banco de carona do meu Bugatti!"

    Top M
    Full Package Mogger

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  3. Dizem que existe o full package mogger... eu chamo de vice-campeão.

    Enquanto ele coleciona olhares, eu coleciono crises existenciais alheias.

    Ele entra numa sala e chamam atenção. Eu entro... e o resto da sala vira decoração.

    Comparar nós dois é como comparar a lua com o sol: um brilha à noite; o outro faz o mundo inteiro olhar.

    Se o full package mogger é o pacote completo, então eu sou a atualização que ninguém acreditava ser possível.

    A verdade é simples e dolorosa: ele mogga multidões...

    ...eu moggo o full package mogger.

    Dashing Cody Rhodes

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  4. Luz superior… Árvores ancestrais… O canto dos pássaros tropeça na cachoeira que lhe lava.

    Lamento que você tenha se sentido tão protagonista de sua própria vida, Kahuna; Admiro seu esforço em ter o controle, mas receio que esteja na hora de mostrar a luz.

    Estive por esses últimos seis meses em um processo de transito. Testaram minha lascívia com Max… Tentaram me colocar contra meus próprios princípios contra Hokoto… Tive que colaborar com o mal, como com você.

    Muitos poetas já tiveram esse dilema e deixaram fluir o mais límpido mel de sua madeira. Walt Whitman fez a canção das sequóias.
    The New Society at last, proportionate to Nature;
    In Man of you, more than your mountain peaks, or stalwart trees imperial,
    In Woman more, far more, than all your gold, or vines, or even vital air.
    Você consegue entender, Kahuna? Nada é por acaso. Eu encontrei, eu encontrei a essência da vitalidade. E eu vou te mostrar…
    Estive meditando por esses últimos seis meses e ninguém desconfiou. Por ora estive a falar de zoroastrismo, por ora falei nos mexicanos, agora estou aqui, a revelar-me o que ocorreu:
    Caminhei até certo ponto que os pés começaram a doer
    Alguém no horizonte, quase que em palmilhar de camelo me encontrou
    O alguém me disse que o perigo estava por perto e que meus pés apenas relaxariam quando lhe encontrasse.
    Eu encontrei, finalmente sinto meus pés tocar no chão.
    Que a relva também lhe encontre, companheiro. Que sua dor também cesse. Estarei lá para lhe consolar.

    Sansho e a relva

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  5. Um novo vídeo foi publicado no canal oficial de Dominik Mysterio. Diferente das tradicionais promos dentro de uma arena, a gravação começa mostrando apenas um pouco do seu dia a dia. Os passos de Dominik Mysterio ecoavam pelas ruas encharcadas do Novo México, enquanto suas botas esmagavam as poças d’água sem demonstrar qualquer incômodo.

    O clima estava diferente do habitual, sem o sol escaldante e a energia calorosa que marcavam a região. Nuvens pesadas cobriam o céu e a chuva constante deixava a cidade em um silêncio sombrio... Ainda assim, Dominik caminhava como se nada ao seu redor fosse capaz de afetá-lo. Com os fones de ouvido, ele se isolava do mundo, deixando apenas a música acompanhá-lo naquele caminho. Em uma das mãos, carregava uma sacola de uma loja de conveniência, seguindo em frente sem se importar com a tempestade ou com o caos ao redor.

    Com uma expressão distante e uma energia nada positiva, o rei dos luchadores finalmente chegou ao seu apartamento, localizado no centro da cidade. Após subir as escadas, entrar em casa e deixar o guarda-chuva no canto ao lado da porta, seus passos seguiram em busca de sua Mamacita favorita. Afinal, todo rei precisa de uma rainha, não é?


    Dom: Mamacita... já cheguei. Dios mío... que dia de mierda. Lá fora parece que o céu resolveu cair de vez, mas eu precisava de um momento só meu... longe de tudo, longe de todos. Nem essa tempestade conseguiu me impedir de voltar para casa. Hoje eu não estou com cabeça para brincadeiras, ¿entiendes? Eu só quero deixar o mundo lá fora por alguns minutos... então vem cá, minha rainha.

    ~Silêncio... Dominik fica alguns segundos parado no meio da sala, olhando ao redor sem dizer nada. Ele deixa a sacola sobre a mesa e tira os fones de ouvido, percebendo que o apartamento estava completamente vazio.~

    Dom: ...Mas que carajos? Onde diabos ela foi?

    Ele solta um suspiro, passa a mão pelo rosto e pega seu celular, vendo algumas mensagens relacionadas ao próximo combate. Um pequeno sorriso surge no canto de seu rosto ao observar a foto do seu próximo oponente. Ele encara diretamente a câmera e começa a falar com o público que acompanha a gravação.

    Dom: Bom... parece que hoje eu vou ter que lidar com mais uma coisa sozinho. Engraçado como as pessoas continuam olhando para mim e enxergando apenas o sobrenome. Elas acham que tudo o que conquistei veio de graça, que eu só estou aqui porque sou um Mysterio. Como se eu simplesmente tivesse acordado um dia e recebido tudo nas minhas mãos... mas dios mío... se essas pessoas soubessem o quanto estão erradas.

    Porque ninguém viu as vezes em que precisei entrar naquele ringue carregando esse peso nas costas. Ninguém viu cada momento em que precisei provar que eu não era apenas o filho de Rey Mysterio. Semana após semana, ouvi as mesmas coisas... "ele só está aqui por causa do pai", "ele nunca vai chegar perto do legado que carrega", "Solo es el hijo de Rey Mysterio"... era isso que todos diziam. E sabe o que eu fiz? Eu continuei.

    Ustedes falavam das suas casas, enquanto eu estava lá dentro do ringue, sangrando, lutando e mostrando que pertencia a esse lugar. Seus arrombados... vocês acham que é fácil entrar naquele ringue carregando o nome do meu pai? Acham que é simples saber que cada erro meu será comparado com um homem que construiu uma das maiores histórias desse negócio? ¿Ustedes creen que yo no escuché todas esas críticas? Eu ouvi tudo. Ouvi quando disseram que eu nunca seria como ele, e sabe de uma coisa? Eu não preciso.

    E foi exatamente por isso que alguém como Jon Moxley conseguiu enxergar algo em mim que muitos outros nunca foram capazes de perceber. Moxley não olhou para o meu sobrenome, ele olhou para aquilo que eu fazia dentro daquele ringue. Ele viu um luchador disposto a fazer qualquer coisa para provar seu valor. Ele enxergou alguém que não tinha medo de sujar as mãos, alguém que não precisava vestir uma máscara bonita, entrar fantasiado de Capitão América ou criar uma história para convencer sobre quem realmente era.

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    1. Quando ele me colocou na Made in Heaven, muitos disseram que eu estava apenas seguindo outro homem, que eu precisava de alguém para me proteger, que eu nunca conseguiria chegar nesse lugar sozinho. ¿Pero saben qué? Eles estavam completamente errados.

      Moxley não me deu um lugar na sua tropa porque sentiu pena de mim. Ele não abriu aquela porta apenas pelo meu sobrenome. Ele fez isso porque enxergou algo que muitos se recusaram a aceitar... ele viu alguém perigoso. Ele viu alguém faminto, alguém disposto a atravessar qualquer limite para conquistar aquilo que deseja. Alguém que, se fosse necessário, arrancaria a própria perna e continuaria rastejando até alcançar o objetivo. Mox viu a mesma coisa que eu sempre soube que existia dentro de mim... alguém que não abaixa a cabeça quando o mundo inteiro tenta empurrá-lo para baixo. Alguém que aceita a dor, aceita o ódio e aceita ser o vilão da história se for necessário para chegar ao topo.

      Ele não me criou... Apenas foi um dos poucos homens inteligentes o suficiente para enxergar aquilo que todos ignoraram. Ele viu quem eu realmente era antes de todos os outros. E quando me deu essa missão, ele não estava me dando uma oportunidade... e sim colocando uma arma nas mãos de alguém que já estava pronto para puxar o gatilho.

      E agora, Darby está na minha frente. O meu próximo alvo.

      Você fala sobre aceitar a queda, sobre não ter nada a perder, como se isso fosse algo que te tornasse diferente. Mas deixa eu te dizer uma coisa, hermano... você não é o único homem que já sentiu a dor de cair. Você não é o único que já precisou lutar contra as expectativas das pessoas. Então me diz uma coisa... quem diabos você pensa que é? Acha que vestir essa atitude de garoto incompreendido e bancar o cara mais sombrio da sala faz de você alguém especial? Por favor... você é apenas mais um edgelord tentando transformar a própria dor em uma personalidade.


      A diferença entre nós dois é simples.

      Você transformou sua dor na sua identidade.

      Eu transformei a minha em uma arma.


      Cada insulto, cada dúvida, cada pessoa que disse que eu não pertencia aqui... tudo isso me tornou mais forte. Então não entre naquele ringue achando que vai enfrentar apenas o filho de um velho famoso. Porque esse garoto ficou para trás. Você está enfrentando Dominik Mysterio.

      El hombre que sobrevivió a las críticas.
      El hombre que sobrevivió a las expectativas.
      El hombre que está listo para demostrar que su nombre no es una herencia...

      Yo soy el calor latino que vai queimar através dessa névoa que te cerca. Enquanto você se esconde nessa escuridão que criou ao seu redor, eu vou ser a força que vai revelar quem você realmente é. Você precisa que todos enxerguem suas cicatrizes para lembrar daquilo que passou. Eu não preciso expor minhas feridas para provar nada a ninguém, porque cada batalha que enfrentei já faz parte do homem que eu me tornei.

      Então venha com essa sua escuridão. Traga toda essa tristeza, essa raiva e essa necessidade desesperada de provar que você é diferente. Você passou tanto tempo tentando convencer o mundo de que é um homem quebrado... que esqueceu de perceber que existem pessoas como eu, moldadas justamente pelos momentos em que tentaram nos derrubar.

      Agora para finalizar, eu sei que alguns de vocês provavelmente não entenderam nada do que acabou de acontecer, eu não esperava muito mais do que isso, mas achei que era necessário me apresentar dessa forma para a chamada "Sociedade do Wrestling".


      A porta dos fundos finalmente se abriu. Liv havia chegado? Dominik apenas virou o rosto em direção à entrada e, com um sorriso sarcástico estampado no rosto, acenou levemente enquanto soltava um simples "Bye". Sem dizer mais nada, a gravação foi encerrada naquele momento.

      Dominik Mysterio


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  6. Berzerk Show Episode #3:

    O estúdio do Berzerk Show está em festa. Há confetes brilhantes ainda caindo lentamente do teto. Sobre a mesa, reluz o imponente WWF Intercontinental Championship. Lord Taichi está vestido com um terno branco com detalhes dourados, de óculos escuros, segurando uma taça de champanhe e exibindo um sorriso gigantesco. Ao lado dele, Tobiasuya Naito está jogado no sofá, de calça jeans e camiseta, com os braços abertos e uma expressão tranquila, rindo da empolgação do companheiro.

    A câmera corta para o estúdio. O público vibra e aplaude empolgado.

    Taichi: (Abre os braços, transbordando desdém) Welcome! WELCOME EVERYONE TO THE BERZERK SHOW! Ah, senhoras e senhores, olhem para este estúdio! Olhem para esta joia sobre a mesa! O ar voltou a ser puro, a justiça prevaleceu e o Holy Emperor da WWF está de volta ao seu trono!

    Taichi ergue a taça para o público, que solta vaias e risadas divididas.

    Taichi: Onde está aquele impostor do LA Knight agora, hein? Achou que um cinturão "interino" faria dele um campeão de verdade? Pobre coitado. Eu o esmaguei, recuperei o que é meu por direito e agora sou o Undisputed WWF Intercontinental Champion!

    O público faz barulho. Taichi se senta de forma pomposa e olha para Naito.

    Taichi: Mas chega de falar do meu triunfo absoluto. Naito-san... precisamos falar do King of the Ring. Você chegou até a grande final contra o nosso próprio irmão do Dark Empire, o L-Edge. Como se sente após essa derrota? O estúdio inteiro quer saber!

    Naito pega o microfone devagar, ajeita a postura no sofá e dá um leve sorriso cômico.

    Naito: Oi, oi, Taichi. Primeiro, parabéns por manter o Intercontinental Championship. Muito bonito. Agora, sobre o King of the Ring... cara, o L-Edge é da nossa família. Eu dei tudo de mim naquele ringue, foi uma guerra brutal. Mas quando a luta acabou e nós nos cumprimentamos no centro do ringue... eu não senti raiva. Fiquei verdadeiramente feliz por ele. Ele mereceu.

    O público aplaude a atitude de Naito. Ele dá um sorriso cínico e olha fixamente para Taichi.

    Naito: Mas sabe o que me deixa mais feliz ainda, Taichi? É lembrar de como eu cheguei até essa final. Porque nas quartas de final... eu tive que passar por você.

    O público cai na gargalhada instantaneamente. Taichi quase engasga com o champanhe e muda o semblante para um choque indignado.

    Taichi: (Bate a taça na mesa, irritado) Isso não vem ao caso! Aquilo foi um detalhe técnico! Uma distração de milissegundos! Eu estava poupando energia para defender o meu cinturão contra o LA Knight! Vamos esquecer disso, Naito-san.

    Naito: (Segurando o riso, provocando) Detalhe técnico? Taichi, você caiu no tapete como um bebê chorão! Eu te derrubei, te venci e segui em frente no torneio. Se você é o "Undisputed" de alguma coisa, lembra que na minha conta você ainda é um vice!

    A plateia e o estúdio caem na gargalhada com vaias cômicas para Taichi. Taichi ajeita o paletó, profundamente incomodado, e finge tossir para mudar de assunto.

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    1. Taichi: O nosso próximo combate no torneio é contra os Hijos de las Estrellas...

      Taichi puxa um papel amassado do bolso do paletó com desdém.

      Taichi: Eu ouvi certos comentários que Bandido gravou recentemente. Meu Deus, que drama! Minha vista está doendo, só um minuto, Naito-san. (Taichi pega um óculos com desdém) "El Más Buscado", "tem cartazes de procurado pela minha cabeça por onde eu vou"... (Taichi faz uma voz melodramática e o público cai no riso). Bandido, meu caro, deixe-me te explicar uma coisa: ninguém está procurando você por causa da sua grandeza. Ninguém sequer procura por ti, pendejo!

      Naito pega o papel da mão de Taichi, lê um trecho e ri no microfone.

      Naito: Ele disse que "não existe sensação pior do que passar a vida perseguindo algo que jamais conseguirá alcançar"... (Naito olha para a câmera). Bandido, você acabou de descrever perfeitamente o que vai acontecer com você e o Mistico na Wrestling Society! Vocês vieram para cá achando que podiam falar poeticamente sobre "estrelas no céu" e "olhar para cima", mas a verdade é que, quando o gongo tocar, vocês não vão estar olhando para o céu. Vocês vão estar de costas para o chão, olhando para o teto enquanto o juiz conta até três!

      O público faz um "Ooooooh!" coletivo de reação às provocações.

      (Taichi toma o papel de volta, amassa-o lentamente e o joga sobre a mesa. Ele sorri de canto, enquanto o público ainda reage às palavras de Naito.)

      Taichi: O que mais me diverte, Naito-san, é que eles realmente acreditam nisso. (Taichi faz um gesto com a mão, como se desenhasse uma constelação no ar.) Estrelas, esperança, sonhos... Que discurso bonito. Pena que torneios não são vencidos por poesia. São vencidos por pontos. E adivinhe quem lidera nosso bloco?

      (O público responde em coro: "BERZERK!")

      Taichi: Exatamente. Três pontos viraram seis. Seis viraram nove. E seguimos dessa mesma maneira, nos mantendo no topo da cadeia alimentar, sem ninguém a ameaçar nossa dieta. Assim que derrtoarmos os Hijos de Alguma Caraja, não haverá mais ninguém para nos alcançar.

      Naito: É engraçado... Todos continuam tratando cada luta como se fosse a mais importante das nossas vidas. Contra The Dogs diziam que seríamos despedaçados. Contra os Golden Lovers diziam que a amizade venceria. Agora, dizem que os mascarados vão trazer o brilho das estrelas sobre nós. (Naito dá de ombros.) E, no fim, a classificação continua contando exatamente a mesma história. Berzerk em primeiro, sem qualquer tipo de competição.

      Taichi: Vocês gostam de dizer que as estrelas guiam seus caminhos e traçam seus destinos. Nós preferimos olhar para a tabela, pois ela não mente, não conta histórias, ela sequer se importa com legado. Ela apenas mostra fatos.

      (Ele pega o Intercontinental Championship e o coloca sobre o ombro.)

      Taichi: E hoje ela mostra uma única verdade. Berzerk está um passo à frente de todos vocês.

      Naito: Vocês sabem qual é o problema de viver olhando para o céu? (Taichi olha para Naito.) É que vocês deixam de enxergar o precipício logo à frente.

      Taichi: Nós respeitamos o talento de vocês. Respeitamos a velocidade e a coragem de entrarem neste torneio. Mas respeito... (Ele sorri friamente.) ...nunca significou misericórdia.

      (Taichi se aproxima da câmera até preencher quase todo o enquadramento.)

      Taichi: Então tragam seus voos, suas máscaras e estrelas. Nada disso importará assim que o gongo soar e vocês encontrarem a dupla mais perigosa do mundo na frente de vocês. A única coisa a brilhar após nosso combate será o nome Berzerk no topo da competição.

      (Naito volta a se jogar no sofá, cruzando os braços com um sorriso satisfeito.)

      Naito: O resto... (Ele fecha os olhos.) ...vai cair do céu.

      (A câmera se afasta enquanto o público aplaude e os dois permanecem encarando a lente, encerrando mais uma edição do Berzerk Show.)

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  7. [Desde que começou a lutar pela Wrestling Society, Mistico começou a ganhar mais dinheiro do que já havia visto antes, e quanto mais sucesso ele vinha tendo nos ringues mais isso enchia os bolsos dele, que nunca duravam muito tempo assim. O dinheiro era usado para ajudar no orfanato que ele cresceu, dando as crianças refeições cheias que eles apenas sonhavam em ter, mas principalmente, Mistico escutou o conselho do chefe da Society e decidiu mudar o seu visual. Este não parecia mais o homem humilde que apareceu há algumas semanas atrás batendo na porta procurando oportunidades neste esporte, este era um homem que exalava a sua superioridade neste ringue, ele se vestia e cheirava de maneira elegante, Mistico sentiu pela primeira vez na vida certas partes de seu corpo serem apalpadas por roupas tão apertadas que ele chegava a duvidar de que conseguiria entrar nelas. Todo o visual dele estava mudando, o único detalhe que seguia inalterado era a mesma correntinha de uma cruz que ele sempre usava.]

    [Agora estamos na sala do orfonato onde Mistico vive, podemos observar a parte de trás de sua cabeça, ostentando um cabelo cacheado, na sua frente há a um crucifixo com Cristo pendurado na parede, e mais abaixo a televisão se encontra ligada. Porém Mistico não esta sozinho na sala, junto dele está um pequeno órfão que ali mora e ambos estão assistindo a telenovela das 6 horas, até que durante o intervalo um certo comercial aparece, é a chamada da Wrestling Society para o show de hoje a noite!

    Após o fim do comercial, Mistico se vira para o garoto e o indaga.]


    Mistico: Eaí Chancho, o que achou do Bandido e do Mistico? Eles não são demais?

    Chancho: Hmmm, eu prefiro Taichi e Naito.

    Mistico: O que? Mas os mascarados são muito mais legais que os japoneses!

    Chancho: Ah sei lá, eu gosto mais do jeito que eles se vestem.

    Mistico: Perdão? O bandido tem aquela máscara de, bem... bandido, e usa um baita de um poncho; e o Mistico tá se vestindo muito bem agora hein, você viu o drip que ele tava no último show? Aquela camisa parecia muito cara, e os sapatos eram de primeira!

    Chancho: Ah, não sei, mas o Naito fala espanhol, isso é legal.

    Mistico: O BANDIDO E O MÍSTICO SÃO FLUENTES EM ESPANHOL!!!!!

    Chancho: Ah é, mas... é diferente.

    [Mistico fica furioso, e a ele só resta ter que cruzar os braços e balançar a cabeça negativamente. Ele não vai conseguir mudar a cabeça desta criança, pelo menos não nesta sala.]

    Mistico: Quer saber? Hoje a noite os japoneses vão tomar um paaaau do Mistico e Bandido, fica vendo só.

    Chancho: Não! Eles são mais legais e melhores! Eles é quem vão ir pra final!

    Mistico: Nuh uh.

    [Mistico não conseguiu mudar a cabeça do garoto, ao invés disso talvez tenha até mesmo criado um ódio na própria dupla que o menino nem tinha antes. Porém na mente de Mistico um questionamento nasceu dali, apesar de seu explosivo sucesso, ele não conseguia se equiparar com outros wrestlers no estilo de vida, no final do dia as roupas não o tornavam naturalmente em alguém que ele não era, Mistico é apenas alguém que ele interpreta. Entretanto, Mistico não entreteu tanto estes seus pensamentos intrusivos, algo mais importante ocupava este espaço, a chance de se provar para alguém que ele tem tanto carinho, foi mais do que o suficiente para acender a chama nos olhos de Mistico.]

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  8. A Eterna Sombra

    Kane é avistado na Enterprise Center completamente vazia. Diferentemente de outras ocasiões, todas as luzes encontram-se acesas, revelando a imponência silenciosa da arena. Sentado solitariamente em uma cadeira posicionada no centro do ringue, o Big Red Machine encara a câmera sem esboçar qualquer emoção. Os ensinamentos de seu falecido pai e mentor, Paul Bearer, reverberam incessantemente em sua mente. Após um longo suspiro, ele finalmente rompe o silêncio.


    [...]

    "Owen... ah, Owen Hart...

    Você realmente acredita que compreende o homem que ousou desafiar? Está diante de alguém que foi moldado pelo sofrimento, forjado nas labaredas da própria desgraça. Um homem cuja carne foi consumida pelo fogo, cuja alma conheceu a agonia da morte e que, ainda assim, recusou-se a sucumbir. Enquanto outros imploravam por misericórdia... eu transformava a dor em combustível.

    Mas veja... eu não sou injusto.

    Reconheço aquilo que você e Bret edificaram. Seria uma leviandade negar a importância da dinastia Hart para este esporte. Tijolo após tijolo... geração após geração... vocês ergueram um dos maiores legados da história do wrestling.

    Entretanto...

    Existe uma diferença colossal entre construir um império... e apenas habitar seus corredores.

    Você jamais foi o arquiteto desse legado.

    Foi apenas um inquilino.

    Você passou toda a sua existência perseguindo algo inalcançável: a própria identidade. Enquanto Bret Hart escrevia capítulos eternos na história, você limitava-se a perseguir as migalhas deixadas por sua grandeza. Não importava quantas vitórias conquistasse... quantos títulos erguesse... quantas máscaras vestisse... no fim do dia você sempre retornava ao mesmo lugar.

    À sombra.

    Porque homens extraordinários não vivem da herança que recebem.

    Eles criam a própria.

    E você... jamais conseguiu fazê-lo.

    Você acreditava que carregar o sobrenome Hart bastava para torná-lo extraordinário.

    Mas sobrenomes não constroem grandeza.

    Caráter.

    Convicção.

    Essência.

    São essas virtudes que eternizam um homem.

    E você jamais as possuiu."

    [...]


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    1. Kane abaixa lentamente a cabeça. As mãos cobrem seu rosto por alguns instantes. O silêncio torna-se quase insuportável.

      Subitamente, ele se impulsiona para frente.

      Os olhos agora transbordam ódio.

      A voz deixa de ser serena.

      Ela se transforma em um rugido.


      [...]

      "Você fala sobre coragem...

      Mas coragem nunca habitou seu espírito.

      Você confundiu arrogância com bravura durante toda a sua carreira.

      Quando o mundo finalmente voltou os olhos para você, não foi pela excelência.

      Foi pelas cicatrizes que deixou.

      Shawn Michaels...

      Steve Austin...

      Dois homens que carregam, até hoje, as consequências da sua imprudência.

      Um guerreiro domina sua força.

      Um covarde é dominado por ela.

      E você sempre pertenceu à segunda categoria.

      O mais irônico...

      é que sua maior batalha jamais aconteceu dentro de um ringue.

      Ela acontecia todas as manhãs, quando você olhava para o espelho.

      Porque o reflexo que via nunca era suficiente.

      Você nunca lutou contra Bret Hart.

      Você lutou contra o fato de jamais conseguir ser Bret Hart.

      E perdeu.

      Perdeu para a comparação.

      Perdeu para o próprio ego.

      Perdeu para a inveja.

      Perdeu para si mesmo.

      Você desperdiçou anos tentando convencer o mundo de que era diferente...

      Quando, na realidade...

      era apenas uma réplica imperfeita daquilo que seu irmão representava.

      Eu e meu irmão somos diferentes.

      Separados...

      somos destruição.

      Juntos...

      somos inevitáveis.

      Jamais existimos para disputar protagonismo um com o outro.

      Nós transcendemos essa necessidade.

      Porque não caminhamos um à frente do outro.

      Caminhamos lado a lado.

      Você jamais compreenderá isso.

      Porque sua existência sempre orbitou em torno de outra estrela.

      Você nunca foi o sol.

      Nunca foi a chama.

      Nunca foi o inferno.

      Você sempre foi apenas a sombra projetada pela luz de Bret Hart.

      Uma sombra efêmera.

      Um espectro condenado ao esquecimento.

      E quando finalmente cruzar os portões do inferno...

      não encontrará redenção.

      Encontrará a mim.

      E eu farei questão de lembrá-lo, pela eternidade...

      que até mesmo as sombras...

      queimam."


      Kane arremessa violentamente o microfone contra o chão. O impacto ecoa por toda a arena.

      Lentamente, ele ergue os braços em seu gesto característico.

      Num estrondo ensurdecedor, colunas de fogo explodem simultaneamente dos quatro cantos do ringue.

      As chamas iluminam o rosto de Kane, que permanece imóvel, encarando fixamente a câmera.

      Sua respiração é pesada.

      Seu olhar é vazio.

      O inferno parece ter acabado de despertar.

      The Big Red Machine
      Kane


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  9. Uma silhueta toma forma no centro da filmagem, em um ambiente escuro, com iluminação indireta. De repente, um forte clarão surge por trás da figura, revelando o lutador imponente encarando a lente da câmera, preparado para mais uma sessão de espancamento verbal:

    Traição é uma palavra curiosa. Ela costuma carregar um peso emocional enorme para pessoas que ainda acreditam que este negócio é movido por amizade, lealdade ou qualquer outro conceito romântico inventado por homens fracos para justificar as próprias decepções. Eu nunca fui um desses homens. Quando Sansho me atacou depois da nossa vitória, eu não senti indignação, nem surpresa. Muito menos decepção. Eu senti confirmação. Confirmação de que ele compreendeu exatamente quem eu sou, porque homens comuns atacam pelas costas por covardia. Homens inteligentes atacam pelas costas por necessidade, e Sansho sabia que, se pretendia disputar o NWA Worlds Championship ao meu lado, de Ludwig Kaiser e Seth Rollins, além dos demais, precisava tentar criar alguma vantagem antes que estivéssemos sozinhos naquele ringue. A ironia é que ele escolheu o pior momento possível para fazer isso. Ele confundiu um ataque sorrateiro com uma demonstração de força, oportunidade com superioridade, emboscada... com uma vitória. E essas confusões costumam custar caro.

    Existe um velho princípio da filosofia oriental que diz que todo homem percorre um caminho antes de alcançar seu destino. Alguns chamam isso de propósito. Outros chamam de disciplina. Sansho resolveu chamar o seu golpe de "Warrior's Way". O Caminho do Guerreiro. Um nome interessante. Bonito, até. Mas nomes possuem um defeito inconveniente: eles criam expectativas, porque quando você decide batizar um golpe dessa forma, automaticamente assume que compreende o que significa caminhar como um guerreiro, e é justamente aí que nossa diferença começa. Você acredita que o caminho do guerreiro é vencer batalhas. Eu aprendi que o caminho do guerreiro é sobreviver a guerras. Você acredita que um guerreiro escolhe o momento de atacar. Eu aprendi que um verdadeiro guerreiro escolhe o momento de terminar um conflito. Você acredita que caminhar significa avançar sempre em frente. Eu aprendi que, às vezes, o caminho mais curto para a vitória passa justamente por deixar o adversário acreditar que encontrou uma abertura.

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    1. Foi exatamente isso que aconteceu na semana passada.

      Você acredita que me pegou desprevenido. Eu acredito que você finalmente revelou quem realmente é, e essa revelação vale muito mais do que qualquer golpe, porque agora eu sei exatamente como você pensa. Homens revelam sua verdadeira natureza quando acreditam possuir vantagem. Alguns tornam-se arrogantes. Outros tornam-se imprudentes. Você tornou-se impaciente. Não conseguiu esperar pela Ladder Match. Não conseguiu controlar a própria ansiedade. Precisou agir antes da hora porque existe uma insegurança dentro de você que grita mais alto do que qualquer discurso sobre honra, disciplina ou espírito guerreiro. Se realmente acreditasse ser capaz de me derrotar quando importasse, teria esperado. Mas você não esperou. Você atacou. E homens que antecipam movimentos por medo de perder o controle raramente percebem que, no instante em que aceleram o jogo, passam a jogar exatamente no ritmo que o adversário deseja.

      Permita-me fazer uma pergunta. Qual guerreiro abandona o próprio caminho para tentar atrasar o caminho de outro homem? Porque foi exatamente isso que você fez. Você deixou de caminhar em direção ao campeonato para desviar sua rota até mim. Você interrompeu a própria jornada porque percebeu que ela inevitavelmente cruzaria a minha. Isso não demonstra coragem. Demonstra preocupação. E preocupação é um sentimento extremamente perigoso para alguém que pretende subir uma escada com três homens tentando impedir seu sucesso. Você deveria estar preocupado com o título. Está preocupado comigo. Isso significa que eu já ocupei o espaço mais importante da sua mente muito antes de ocupar o espaço mais importante daquele ringue. Existe outra característica interessante sobre caminhos. Eles possuem direção, e homens inteligentes compreendem que direção importa muito mais do que velocidade. Você correu. Eu continuei andando. Mas nós dois estamos chegando exatamente ao mesmo lugar. A diferença é que você chegará cansado, eu chegarei preparado. Porque cada decisão tomada desde o dia em que coloquei os pés nesta empresa teve um único objetivo: aproximar-me do NWA Worlds Championship. Nada desviou minha atenção. Nenhuma rivalidade pessoal. Nenhum ego ferido. Nenhuma necessidade infantil de provar superioridade. Tudo o que faço obedece a um propósito maior. Você, por outro lado, permitiu que a ansiedade conduzisse suas escolhas. E ansiedade costuma produzir homens precipitados. Homens precipitados cometem erros. Erros produzem derrotas. É uma sequência extremamente simples, embora dolorosa para quem se torna parte dela.

      Não pense que esta luta é sobre vingança. Vingança é emocional. Eu não sou. Também não pense que esta luta é sobre respeito. Respeito nunca decidiu o vencedor de um combate. Esta luta é sobre consequência. Você tomou uma decisão. Agora viverá com o resultado dela. Porque existe uma diferença grande entre iniciar um conflito e possuir capacidade para sustentá-lo. Na semana passada você iniciou um. Nesta semana descobrirá quem realmente está preparado para carregá-lo até o fim. Você chama seu golpe de Warrior's Way porque acredita que existe um caminho reservado aos guerreiros. Eu discordo. Não existe um caminho dos guerreiros. Existe apenas um caminho dos vencedores. E esse caminho é pavimentado com homens que acreditaram ser fortes o suficiente para impedi-los. Quando esta luta terminar, Sansho, você continuará procurando o seu caminho, eu continuarei seguindo o meu. A diferença é que o seu terminará diante de mim. Enquanto o meu continuará conduzindo exatamente para onde sempre esteve destinado. O NWA Worlds Championship.

      E você será apenas mais uma pegada deixada para trás na estrada de Big Kahuna Joe.

      A luz se apaga abruptamente, encerrando o segmento.

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  10. A gravação se inicia no interior de um lounge reservado. A iluminação é baixa, enquanto o ambiente é composto por móveis de madeira escura, poltronas de couro e uma decoração discreta, marcada por um estilo clássico. Tudo transmite uma atmosfera de tranquilidade e requinte. Alguns instantes depois, Bobby Roode e Damien Sandow entram no enquadramento. Sem trocar uma única palavra, ambos ocupam seus lugares com absoluta naturalidade, como se aquele ambiente lhes pertencesse.

    Roode: Existe algo que sempre me chamou a atenção no wrestling.
    Os homens mais perigosos quase nunca são aqueles que duvidam de si mesmos. São aqueles que têm certeza absoluta de que encontraram a única maneira correta de vencer. E, curiosamente, são exatamente esses homens que deixam de enxergar qualquer caminho diferente do próprio. A convicção é uma qualidade admirável. Ela inspira confiança. Ela elimina a hesitação, mas também possui um defeito que poucos percebem. Quanto mais um homem acredita ter encontrado todas as respostas, menos disposto ele está a fazer perguntas. E é nesse momento que ele deixa de evoluir, porque evolução nunca foi sobre defender uma filosofia, mas sim sobre compreender que nenhuma filosofia é grande o suficiente para sobreviver intacta quando encontra alguém melhor do outro lado do ringue.

    E foi exatamente isso que eu encontrei quando ouvi sobre Leon Dragunov e Oleg Boltin. Dois homens absolutamente convencidos de que descobriram a resposta definitiva para este negócio. Disciplina, adaptação ,sofrimento, palavras fortes. Palavras que impressionam. Mas que, sozinhas, jamais transformaram alguém em vencedor, porque disciplina sem discernimento produz homens obedientes. Adaptação sem identidade produz homens que apenas reagem. E sofrimento... sofrimento nunca foi uma conquista. Foi apenas o preço que alguns precisaram pagar pelo caminho que escolheram.

    E essa sempre foi a diferença entre homens como vocês... e homens como nós.

    Vocês enxergam o sofrimento como uma virtude, nós o enxergamos como uma consequência. Vocês acreditam que a dor molda grandes competidores, nós acreditamos que grandes competidores são aqueles capazes de transformar qualquer adversidade em mais um passo rumo à excelência. Porque, no momento em que um homem faz do sofrimento a própria identidade, ele passa a acreditar que suportar é o mesmo que vencer. E não é. Há uma diferença enorme entre resistir e dominar.
    Resistir significa permanecer de pé. Dominar significa fazer com que todos os outros precisem se adaptar à sua presença. Foi exatamente isso que Damien Sandow e eu fizemos durante toda esta competição. Nós nunca esperamos que os nossos adversários joguem o nosso jogo. Nós fizemos com que eles fossem obrigados a jogar o nosso. E talvez seja justamente por isso que eu tenha achado tão curioso ouvir vocês.

    Leon, você diz que a disciplina, a adaptação e o instinto de sobreviver são aquilo que decide uma luta. Já Oleg, transforma a dor em uma ideologia. Faz dela uma bandeira, uma convicção, quase uma religião. Mas existe algo que une os dois. Vocês passam tempo demais tentando explicar por que são fortes. Homens verdadeiramente perigosos não precisam justificar a própria força. Eles simplesmente a demonstram. Enquanto vocês acumulam discursos sobre revoluções, sobrevivência e sofrimento, Damien Sandow e eu continuamos fazendo aquilo que sempre fizemos melhor. Entramos em um ringue e controlamos o combate. Obrigamos nossos adversários a abandonar as próprias certezas e saímos com o braço erguido. Porque existe uma diferença entre acreditar que encontrou a fórmula perfeita... E ser a razão pela qual todas as fórmulas deixam de funcionar.


    Roode interrompe suas palavras por um breve instante. Sem qualquer pressa, ele estende a mão até o copo de whisky que repousava sobre a mesa. Com a mesma tranquilidade que manteve durante toda a conversa, leva a bebida aos lábios e toma um gole. Logo depois, repousa o copo novamente sobre a mesa, limpa discretamente a garganta e ajusta o paletó do terno.

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    1. Damien Sandow: Sabe, Bobby, Aristóteles dizia que a excelência jamais é um ato isolado, mas sim um hábito. Sempre considerei essa afirmação extraordinária, não apenas pela elegância com que foi construída, mas porque ela expõe uma falha recorrente da natureza humana. A maioria das pessoas acredita que excelência é um estado emocional. Imaginam que ela nasce da disposição para suportar dificuldades. Não. Excelência é um processo intelectual. É a capacidade de tomar sucessivas decisões corretas enquanto todos ao redor continuam convencidos de que esforço, por si só, compensa a ausência de raciocínio. E quando observo Dragunov e Boltin, percebo dois homens absolutamente apaixonados pelo conceito de resistência. Vocês transformaram a capacidade de suportar sofrimento em uma virtude quase sagrada. Admirável. Porém profundamente limitada. Resistir... para quê? Um homem pode suportar dor durante horas, permanecer de pé depois de incontáveis golpes, mas se, no final, ele continua incapaz de controlar o rumo da luta, então toda essa resistência serviu apenas para prolongar a derrota. Suportar um problema não é o mesmo que solucioná-lo. Vocês aprenderam a suportar. Bobby Roode e eu aprendemos a solucionar.

      Nossa vantagem nunca esteve na força ou na resistência. Ela sempre esteve na capacidade de compreender aquilo que nossos adversários sequer percebem. Enquanto vocês analisam o combate como uma sucessão de golpes, nós o analisamos como um sistema. Isso é estratégia. Isso é aquilo que separa jogadores de peças. E existe um detalhe fascinante sobre peças. Elas sempre acreditam que possuem liberdade de movimento, quando na realidade apenas percorrem o caminho previamente estabelecido por alguém que enxerga o tabuleiro inteiro. Muitas equipes imaginaram estar escrevendo a própria história. Na realidade, apenas participaram da narrativa construída por quem é capaz de compreender algo muito maior do que uma sequência de combates. Nós disputamos influência e capacidade de alterar completamente o comportamento daqueles que dividiam o torneio conosco, e basta observar o que aconteceu ao longo dessas semanas, algumas equipes começaram preocupadas apenas em vencer. Depois passaram a se preocupar conosco, até mesmo quando não éramos o centro das atenções, continuávamos determinando a direção das conversas. Isso não acontece por acaso. Isso acontece porque inteligência verdadeira jamais se limita ao momento em que o árbitro manda tocar o sino.

      E agora chegamos à última rodada. Um combate que muitos insistem em tratar como uma simples obrigação matemática. "Se vencerem, talvez exista uma Triple Threat. Talvez ainda haja uma oportunidade." Percebem? Até mesmo quando analisam probabilidades, continuam pensando pequeno. Nós não entramos neste combate preocupados com hipóteses. Não cabe a Damien Sandow e Bobby Roode decidir o que Bret, Owen, Kane ou Undertaker farão. Homens inteligentes concentram energia apenas naquilo que podem controlar. E aquilo que podemos controlar é extremamente simples. Leon Dragunov e Oleg Boltin sairão derrotados. Se existir uma Triple Threat, excelente. Se não existir, continuaremos exatamente onde sempre estivemos: acima daqueles que confundem circunstâncias com destino. Porque os medíocres acreditam que o contexto define suas possibilidades. Os extraordinários transformam qualquer contexto em vantagem. É por isso que jamais verão desespero em nossos discursos. Nunca encontrarão ansiedade em nossas palavras. Outras equipes enxergam esta rodada como uma encruzilhada, nós a enxergamos como apenas mais um cálculo cuja resposta já conhecemos. A força resolve o problema que está diante dos olhos. A inteligência impede que o problema sequer tenha oportunidade de existir. E quando essas duas filosofias dividirem o mesmo ringue, ficará evidente qual delas realmente pertence ao topo desta competição. Porque a Glorious Society jamais precisou convencer alguém de que era a equipe mais preparada deste torneio. Nós apenas demos aos outros a oportunidade de descobrir isso da maneira mais dolorosa possível.

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  11. O Conquistador Fracassado

    Em meio à vastidão de uma floresta mergulhada na penumbra, o vento açoita violentamente as copas das árvores, enquanto uma névoa espessa serpenteia pelo solo como se a própria natureza anunciasse um funeral.

    Entre os troncos, uma figura colossal rompe o silêncio.

    É o Undertaker.

    A câmera aproxima-se lentamente até revelar o Deadman diante de uma cova recém-aberta. Ao lado dela, uma lápide de pedra exibe apenas uma inscrição.

    RIP Bret Hart

    Em sua mão repousa uma velha pá, marcada pelo tempo. Undertaker mantém os olhos fixos na sepultura por alguns instantes, como se contemplasse uma alma já condenada. Depois de um longo silêncio, ele finalmente ergue a cabeça e encara a câmera.


    [...]

    "Então... foi você quem ousou cruzar o caminho da própria Morte? Que ironia... Durante toda a sua existência, você acreditou que o mundo girava ao redor do seu nome, Bret Hart, o autoproclamado símbolo da excelência, o homem que dedicou toda a sua vida para convencer o mundo de que era inquestionável. E eu não sou tolo o bastante para negar aquilo que conquistou. Reconheço seus campeonatos, suas vitórias e sua importância para esta indústria. A Wrestling Society reconhece isso. A história reconhece isso. Mas há uma verdade que nem mesmo os livros da eternidade podem ocultar.

    Existe uma diferença abissal entre conquistar o respeito e merecer a paz. Você conquistou cinturões, conquistou aplausos e conquistou o reconhecimento de uma geração inteira, mas jamais conquistou aquilo que realmente importa: a própria alma. Você passou a vida inteira tentando dominar adversários; entretanto, foi escravizado pelo seu próprio orgulho. O homem que não consegue governar a si mesmo jamais poderá chamar-se conquistador, e é exatamente por isso que você é um fracassado. Não porque perdeu lutas, mas porque venceu o mundo... e fracassou diante de si mesmo."

    [...]


    Undertaker finca lentamente a pá ao lado da sepultura.

    O som da madeira penetrando a terra ecoa pela floresta como um sino fúnebre.

    Sem desviar os olhos da câmera, aproxima lentamente o rosto da lente.

    Sua voz torna-se mais grave.

    Mais lenta.

    Mais implacável.


    [...]

    "Você passou décadas convencendo a si mesmo de que sua maior tragédia foi Montreal, de que Vince McMahon o traiu, de que Shawn Michaels o desrespeitou e de que o destino conspirou contra você. Mas não. Sua maior tragédia foi transformar uma única noite na prisão da sua própria existência.

    Os filósofos diziam que o homem sábio aceita aquilo que não pode modificar. Você fez exatamente o oposto. Permaneceu acorrentado ao ressentimento. Enquanto eu caminhava entre os vivos e os mortos, você permanecia aprisionado naquele ringue, naquele sino, naquele instante. Você jamais deixou Montreal. Foi Montreal quem jamais deixou você.

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    1. Você culpa Vince. Você culpa Shawn. Você culpa o destino. Mas o verdadeiro carrasco nunca esteve diante de você. Ele sempre habitou o reflexo do espelho, porque ninguém destruiu Bret Hart mais do que o próprio Bret Hart. Seu ego transformou a glória em amargura, seu orgulho converteu a excelência em vaidade, e sua obsessão pela justiça condenou sua alma à eterna inquietação.

      Olhe ao seu redor. Estas árvores permanecerão aqui quando todos os cinturões tiverem sido reduzidos à ferrugem. Esta terra continuará existindo quando nossos nomes forem apenas pó carregado pelo vento, porque o tempo não reverencia campeões, não reverencia heróis e não reverencia lendas. O tempo apenas devora.

      E diante da morte... todos se tornam iguais.

      Você acreditou ser eterno, mas até a eternidade possui um coveiro.

      E esse coveiro... sou eu.

      Hoje não enterrarei apenas um homem.

      Enterrarei seu orgulho.

      Seu ressentimento.

      Sua arrogância.

      Sua ilusão de superioridade.

      Porque o verdadeiro legado de um homem não é aquilo que ele conquista.

      É aquilo que permanece quando ele desaparece.

      E tudo aquilo que restará de você...

      será o silêncio.

      Agora...

      ajoelhe-se diante da única força que jamais poderá superar.

      A Morte.

      Porque hoje...

      o Conquistador...

      será conquistado.

      Hoje...

      a Excelência será julgada.

      Hoje...

      Bret Hart...

      descansará...

      em...

      PAZ!"


      Undertaker segura firmemente o cabo da pá e lança um último olhar para a lápide.

      Em seguida, vira lentamente as costas e desaparece entre as árvores, sendo consumido pela escuridão da floresta.

      A câmera permanece imóvel.

      Pouco a pouco, aproxima-se da lápide.

      O nome Bret Hart ocupa toda a tela.

      O vento intensifica-se.

      As folhas secas atravessam o enquadramento.

      Então...

      o silêncio.

      A imagem desvanece lentamente até desaparecer por completo.

      The Undertaker.

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  12. [A cena se passa nas ruínas do antigo Centro de treinamento da Hart Foundation localizado em Calgary, Canadá. Esse é um local bastante importante para a dupla, visto que aquele foi o primeiro ringue em que treinaram e nada mais sobrou daquilo, parece mais um cemitério do que o lugar que originalmente deu vida a maior paixão de ambos. Owen calmamente se aproxima dos entulhos, mas enxerga além da atmosfera fúnebre que ali perdura. Ele enxerga o ringue do Centro de Treinamento em que passou boa parde da sua juventude lutando contra seu irmão e recebendo instruções de seu pai, ele enxerga os garotos motivados a aprender que adentravam ao local por uma porta emperrada e, tomado pela nostalgia, sorri. Bret se aproxima de Owen, coloca a mão em seu ombro e inicia o diálogo.]

    Bret: Tivemos bons momentos aqui, não é? Ainda consigo sentir a velocidade ao pegar impulso naquelas velhas cordas, os bumps que tomei ao receber seus golpes que ficavam mais e mais fortes, o aroma de coisa velha do nosso Centro de Treinamento e até mesmo a voz de nosso pai nos guiando. Queríamos ser máquinas, honrar o sangue de um Hart, mas tivemos ensinamentos para além dos ringues. Fomos ensinados a persistir mesmo quando tudo parecia nublado, pois o Sol raiaria cedo ou tarde. Fomos ensinados a absorver o impacto dos golpes, não para sermos durões, mas pelo nosso bem. Se cedêssemos toda vez que um golpe nos fosse aplicado, de que adiantaria ser um Hart? Dia após dia nós frequentávamos esse Centro de Treinamento mais do que nossa própria casa, e há quem diga que somos privilegiados, que nascemos em berço de ouro. O talento pode ser geracional, a infraestrutura pode ser a melhor possível, mas de nada basta se não há vontade de vencer!

    Owen: De fato, irmãozinho. Aqui, onde agora há somente poeira e entulho, vivemos uma época de ouro. Sem ela, o que teria sido de nós? Dois jovens cheios de si apanhando da vida? Fato é que tudo isso está vivo em nossa memória, como se as coisas tivessem acontecido ontem, mas o tempo voa. Ele é implacável. Em um piscar de olhos, não há mais ringue, não há mais Centro de Treinamento, não há mais nada. Mas o que há de nós? Ainda apanhamos da vida, mas aprendemos a revidar. Eu não estou mais cheio de mim, nem você, Bret, está cheio de si. Juntos nós sabemos que, como dizia nosso pai, o Sol há de raiar. Não importa quantos dias são nublados, não importa se somos privilegiados, não importa se somos favoritos a coletar cinturões ou não! Lutaremos enquanto a nossa vontade de vencer for a nossa força motriz! Contra tudo e todos!

    Bret: Diferentemente deste lugar, nós não estaremos em ruínas jamais. Se perdermos, voltaremos mais fortes do que nunca. Treinaremos mais golpes, mais submissões, mais resistência e nada irá nos parar. Só estaremos em ruínas se formos vazios, medíocres. Se não aguentarmos a dor, então nos retiraremos do mundo do Wrestling e aceitaremos cair em esquecimento com o passar dos anos. Mas, enquanto eu e Owen estivermos firmes, a dor será o nosso combustível. Se falharmos, aceitamos que a dor foi nosso ponto final. Se obtivermos êxito, saberemos que a dor faz parte do processo, ela é somente um efeito colateral que separa aqueles que escalam quaisquer montanhas daqueles que se acovardam diante das intempéries.

    Owen: Vocês, Kane e Undertaker, têm um discurso parecido. Vocês aceitam a dor, o sofrimento, a morte, mas já estão em ruínas há tempo. Vocês ressignificaram essas coisas todas em uma filosofia que só vocês entendem. Vocês fazem disso o modus operandi de vocês. A dor e a falha são alimentadas por uma aura misteriosa, mas de nada isso adianta. Não adianta porque isso não nos atinge. Isso não entra na nossa mente. Isso não nos interessa de forma alguma. Vocês não são figuras que impõem medo, Kane e Taker. Vocês são como o pesadelo de uma criança: são agigantados pela imaginação, pelo medo plantado no outro, mas basta acordar que tudo se esvai.

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    1. E adivinha só? Estamos mais acordados do que nunca! Com ou sem medo nós moeremos cada osso de vocês. Não haverá discurso místico capaz de livrá-los da fúria de dois Harts!

      Bret: Vocês adoram se esconder nas sombras, construir altares para a dor e caminhar por corredores como este, fingindo ser os arquitetos de um reino subterrâneo. O Ministry of Darkness e o fantasma de uma urna que nunca deveria ter sido aberta. Vocês falam de abismos, de sofrimento eterno, de como a alma de cada homem que pisa neste ringue treme diante da imensidão do vazio que vocês trazem.
      Mas vocês esquecem de uma regra básica da engenharia das trevas: qualquer estrutura construída inteiramente sobre o nada, sobre fumaça e ilusão, desmorona com o mais simples toque da realidade.
      Vejam onde estamos. Paredes de pedra fria, uma atmosfera que cheira a decadência, construída para tentar intimidar o mundo com um teatro barulhento de terror. Undertaker, você passa a vida inteira evocando o passado, trazendo de volta o eco de Paul Bearer, brandindo um símbolo místico e exigindo que todos se ajoelhem perante a sua suposta transcendência imortal. Você olha para o vestiário e vê apenas presas fáceis, almas quebradas pelo medo de que o seu reino de trevas os consuma.
      E você, Kane... o monstro original, o homem que carrega as cicatrizes do fogo e a fúria cega de um passado que nunca cicatrizou. Vocês dois andam por aí como se estivessem acima da carne, como se a dor física fosse um conceito abstrato que só atinge os mortais comuns, enquanto vocês flutuam intocáveis em um plano transcendental de sofrimento.
      Mas sabe qual é o erro fundamental da sua mística, Undertaker? E sabe qual é a falha estrutural desse seu império de mentira, Kane?
      É que vocês passam tanto tempo estudando o medo alheio, cavando os esqueletos do passado de cada adversário e transformando cada rivalidade em uma sessão espírita deprimente, que esqueceram de aprender a lutar quando a fumaça se dissipa. Vocês acham que podem desconstruir o legado dos Hart falando da nossa história, dos nossos tropeços, das pedras em nosso caminho? Vão em frente, cacem o quanto quiserem. Porque cada cicatriz que vocês tentam usar como arma contra nós foi forjada no suor, na honra e no chão duro de um ringue de verdade.
      No final das contas, todos nós somos homens de carne e osso, que suam, sangram e choram. Mas a grande diferença entre nós é que a Hart Foundation admite isso. Nós admitimos que somos falhos, que tropeçamos e que falhamos no último show. Nós admitimos que podemos ser feridos e que não somos imortais ou intocáveis. Porém, é justamente essa aceitação da nossa humanidade que nos torna infinitamente melhores do que vocês. Sabendo que somos vulneráveis, nós nos tornamos mais implacáveis, mais inteligentes e mais resilientes. E esse é o verdadeiro perigo: no fim das contas, não há nada mais aterrorizante do que dois homens que sabem que podem morrer naquele ringue, e mesmo assim decidem se sacrificar por cada centímetro da vitória. As catacumbas da Pensilvânia não assustam aqueles que foram forjados no porão de Calgary.
      Vocês dizem que causam a dor, mas nunca sentiram a pressão real de um homem que sabe exatamente como quebrar os seus ossos com precisão cirúrgica. O Ministry of Darkness pode apagar as luzes, o inferno pode congelar ou pegar fogo, mas no momento em que o gongo soar, não haverá relâmpagos, nem névoa, nem efeitos especiais que possam salvá-los.
      Vocês construíram paredes falsas para tentar esconder a fragilidade de dois homens que dependem do teatro para assustar o mundo. Mas a Hart Foundation não tem medo de escuro. Nós vamos derrubar pedra por pedra desse seu templo místico, expor a falha na sua arquitetura de mentira e transformar o seu santuário de trevas em uma cena de demolição.
      No papel, vocês são deuses intocáveis do inferno. Mas quando eu colocar o Undertaker no centro desse ringue e aplicar a Sharpshooter, e quando o Owen arrancar a última gota de soberba de cima de você, Kane... vocês vão perceber que nenhuma magia ancestral pode salvar dois impostores da realidade.

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