CARD - MIDNIGHT VIOLENCE


 LOCAL DO EVENTO

First Horizon Coliseum - Carolina do Norte, Estados Unidos
Capacidade: 23.500 pessoas

THEME SONG
DemetriusX - The Purge

POSTER PROMOCIONAL

CARD

World Championship - Triple Threat Match: Oba Femi (c) vs. Akira Hokuto vs. Full Package Mogger
Akira e Mogger deixaram bem claras suas intenções de conquistar o World Title, mas Femi não pretende deixar isso acontecer tão fácil!

World Tag League - Final Match: Berzerk (Lord Taichi e Tobiasuya Naito) vs. Hart Foundation (Bret e Owen Hart)
Pra definirmos os primeiros World Tag Team Champions da Society, as duas melhores duplas da WTL vão colidir no grande palco da noite!

NWA Worlds Heavyweight Championship - Ladder Chaos: Big Kahuna Joe vs. Darby Allin vs. Dominik Mysterio vs. Ludwig Kaiser vs. Sansho vs. Seth Rollins vs. Stan Hansen
7 homens escolhidos por Society, BML e FWC terão que escalar as escadas e quebrar uns aos outros pra conquistar o NWA Worlds Title!

United States Championship Match: The Undertaker (c) vs. Nic Nemeth
Mesmo não alcançando a final da WTL, Taker terá que limpar as feridas e se preparar pra defender seu cinturão contra Nic Nemeth!

Texas Deathmatch: Raven vs. Trick Williams
Depois de se destruírem por semanas, Trick e Raven vão se enfrentar novamente, porém, agora com tudo valendo e o vencedor sendo o último homem de pé!

Singles Match: CM Punk vs. Jay White
White tem sido uma pedra no sapato de Punk em sua jornada na Society e ainda quer aposentar de vez o veterano, o que despertou a ira do Voice of the Voiceless!

Singles Match: Drew Parker vs. Zack Sabre Jr
ZSJ pediu por uma luta no Midnight Violence e Drew Parker não hesitou em aceitar o convite. Quem dos dois sairá vivo desse embate de estilos?

PROMOS: Até as 23:59 do dia 2 de setembro (Quarta-feira)  

Comentários

  1. CADA LUTADOR PODE FAZER ATÉ 2 COMENTÁRIOS PRA PROMAR EM SUA RESPECTIVA LUTA (A única excessão será a final da WTL)

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  2. “Midnight Violênce”

    Onde eles acham que eu estou? Num show indy montado no quintal de algum gordo careca qualquer? Isso aqui é uma piada. Daqui a pouco vão pedir pra eu ajudar a guardar as cadeiras quando o show acabar. Depois de finalmente tirar a bunda do sofá e largar meu modo carreira com o Tigres no Fifinha, voltei pra estrada, baby. Por semanas, venho sendo deixado de lado por empresas que não têm o menor histórico de valorizar o wrestler e, principalmente, a pessoa que eu sou dentro dessa indústria.

    BML.....Estou em comum acordo com Jon Moxley, mas, há algum tempo, venho percebendo que não estou servindo de muita utilidade pra ele. E eu não vim até aqui pra ficar sentado esperando uma oportunidade cair no meu colo de paraquedas. No, no, no, hermano. Eu sei o meu valor. Não é à toa que me inscrevi não só aqui, mas também na recém-revivida JWW, que renasceu das cinzas com seus heróis semiaposentados carregando nas costas uma empresa que um dia já teve seu nome. ¿Pero qué puedo decir? Talvez eles precisassem de alguém como eu pra lembrar ao mundo o que realmente significa Latino Heat.

    E agora estou aqui na Sociedade da Luta, diante de sete homens que, por algum motivo, acreditam que dividir o mesmo ringue comigo é uma oportunidade pra provar alguma coisa. Pra mim? Es solamente otro día en mi casa. Não importa quantas histórias vocês tenham pra contar, quantos discursos tenham preparado ou quantas vezes tenham repetido que são perigosos. Eu já ouvi tudo isso antes. Todo mundo chega nesse negócio dizendo que é diferente. Um fala de controle, outro fala de visão, outro fala de violência, outro de legado... no fim, quando o sino toca, todos descobrem a mesma coisa: palavras não lutam por vocês.

    Big Kahuna passou um testamento inteiro explicando como entende o corpo humano e como sabe encontrar os limites de um adversário. Seth Rollins prefere falar sobre visão, como se enxergar dois passos à frente fosse suficiente pra controlar o que acontece ao seu redor. Kaiser continua desfilando com aquela pose de Herr Kaiser, como se tivesse acabado de sair de uma reunião do conselho administrativo. Darby Allin? Bom, esse já descobriu algumas semanas atrás o que acontece quando subestima o Rey de los Luchadores.

    Qué ironía, hermanos. Cada um de vocês encontrou uma maneira diferente de tentar parecer especial, mas todos cometeram exatamente o mesmo erro: achar que essa luta gira em torno de vocês, e não gira.

    Essa Ladder Match não é uma disputa pra descobrir quem tem o currículo mais bonito. Não é uma competição de quem consegue fazer o discurso mais assustador. E definitivamente não é uma oportunidade pra vocês escreverem mais um capítulo da própria carreira. Es mi oportunidad. Vocês vão entrar naquele ringue pensando em seis adversários. Enquanto Kahuna estiver tentando controlar o caos, enquanto Seth estiver procurando o próximo movimento, enquanto Kaiser estiver tentando acompanhar o ritmo e Darby estiver tentando sobreviver, eu vou estar procurando o caminho mais rápido até o topo.

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    1. E isso vale pra todos os outros também. Inclusive pro nosso querido Sansho, que passou seis meses meditando, procurando a “essência da vitalidade” e tentando encontrar algum significado profundo pra própria existência. ¿Sabes qué, hermano? Depois de tanto tempo procurando respostas, eu espero que pelo menos tenha encontrado a certa. Você pode falar de natureza, de luz, de cachoeiras e de qualquer outra coisa que tenha aprendido durante sua jornada espiritual. Mas quando sete homens estiverem brigando ao redor daquela escada, nada irá ajudar.

      E eu não preciso ser o maior homem do ringue. Não preciso ser o mais forte. Não preciso ser o mais violento. Só preciso ser o mais esperto quando todos vocês estiverem ocupados demais tentando destruir uns aos outros. Quando aquela escada estiver no centro do ringue, vão perceber que passaram semanas tentando descobrir como derrotar sete homens diferentes, enquanto eu passei o tempo inteiro pensando em uma única coisa: como subir. Porque é isso que vocês ainda não entenderam sobre o Latino Heat. Eu não preciso transformar essa luta numa guerra. Eu só preciso sobreviver ao caos por tempo suficiente.

      E quando vocês estiverem no chão, discutindo quem errou, quem foi traído, quem deveria ter impedido quem e quem estava a um segundo de vencer...yo voy a estar acima, no topo da escada. Com o título nas minhas mãos. Olhando pra vocês lá embaixo.


      Latino Heat. Rey de los Luchadores. Dominik Mysterio.......

      Espera um minuto... Stan Hansen?! ¿Qué carajos esse cowboy fedido está fazendo aqui? Eu achei que minha presença seria suficiente representar a BML nessa Ladder Match, mas aparentemente esqueceram de me avisar que tinham colocado um fazendeiro no meio do caminho. Hansen, hermano, de onde você surgiu? Saiu de uma Hilux do sertão, largou o gado no pasto e veio direto pra cá? Mas tudo bem, Stan. Você é da casa, eu também sou da mesma empresa. A diferença é que enquanto você representa a velha guarda, eu sou o futuro que essa empresa ainda não percebeu que precisava. Então fica tranquilo, cowboy. Guarda essa corda, porque nessa Ladder Match quem vai laçar o título sou eu.

      Latino Heat. Rey de los Luchadores. Dominik Mysterio.

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  3. – Oi, Punk-O, parece que temos uma luta no Midnight Violence, parceiro. Eu estava esperando por esse momento há muito tempo, Punk. Desde que pisei na Society, as coisas têm sido bem medianas para mim. Ainda estou muito longe de ser quem eu costumava ser. Mas nossa luta no Midnight Violence vai mudar tudo para mim. Ela vai mudar o cenário da Society que conhecemos. Sabe por quê? É tão claro quanto a água, Punk. Depois que eu acabar com você, seguirei meu caminho rumo à grandeza, o lugar ao qual pertenço. Eu sei que ultimamente não tenho sido o maior chamariz da Society, mas isso está prestes a mudar. É hora de trazer o verdadeiro eu à tona. A era do Switchblade está chegando, e todos vocês vão respirar a minha era! Punk, você é apenas um degrau no meu caminho até o topo. Não importa o que você diga em resposta, eu não me importo com a sua resposta. Na verdade, eu odeio você e vou te derrubar como a vadia que você é! Eu serei o motivo do seu fim, e você será o motivo do meu verdadeiro começo!Aproveite a aposentadoria, vadia! Eu me pergunto se você ainda consegue aguentar as balas que estou prestes a disparar contra você. Quer dizer, a essa altura, você já é praticamente um velho peso morto. Mas isso não significa que vou pegar leve com você. Quero ver você sofrer até dar seu último suspiro! Pois eu sou o Último Real Rock N' Rolla! Eu sou o Catalisador do Pro Wrestling! Eu sou o King Switch, baby! E esta ainda é a minha era! Você vai cair de joelhos, Punk, e eu vou mandar essa sua bunda direto para o inferno. E todos vão RESPIRAR COM O SWITCHBLADE!

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  4. A gravação começa com uma visão distante do palco. As cortinas estão fechadas e apenas uma luz permanece acesa acima delas. Por alguns instantes, nada acontece.
    As cortinas se abrem lentamente. O palco está vazio, mas uma silhueta pode ser vista sentada na beirada, de costas para a câmera.
    A câmera se aproxima até revelar Seth Rollins sentado, observando o teatro vazio à sua frente. Sem olhar para trás, começa a bater palmas lentamente, sozinho, até que um sorriso toma conta de seu rosto.
    Seth interrompe as próprias palmas, mantendo os olhos fixos no palco. Ele inclina levemente a cabeça, como se estivesse admirando algo que somente ele consegue enxergar.


    Seth Rollins: Olhem para isso. Não é lindo?

    Um palco, seis homens esperando pela oportunidade de entrar em cena e um título mundial pendurado acima de todos nós. Sete competidores, três empresas diferentes e uma única noite para descobrir quem merece ser lembrado quando as cortinas finalmente se fecharem.
    Eu sei o que vocês estão pensando. Uma Ladder Match. Caos, corpos, sangue, desespero. Sete homens tentando subir mais alto para colocar as mãos no NWA Worlds Heavyweight Championship.
    Mas eu vejo algo diferente. Eu vejo um teatro. E todo teatro precisa de personagens.


    Seth se levanta e começa a caminhar pelo palco. A iluminação acompanha seus passos.

    E se existe um gênero que nunca morre, é o velho Western. O deserto, a poeira, o homem solitário atravessando a cidade com suas botas sujas e aquela velha pergunta: quem será o último a permanecer de pé?
    Big Kahuna Joe.
    Você praticamente nasceu para esse papel, não é? O homem que carrega suas próprias regras, não precisa de plateia para saber quem é e acredita que toda história precisa terminar com alguém pagando o preço. Você não precisa de grandes cenários ou diálogos elaborados. Basta colocar dois homens frente a frente e esperar pelo primeiro disparo.
    Essa é a beleza do seu personagem. Simples. Direto. Brutal, mas todo bom Western precisa de um duelo final, e tenho uma pequena suspeita de que, se nossos caminhos se cruzarem naquela Ladder Match, você descobrirá que nem todo duelo termina da maneira que o cowboy imaginou.


    Seth deixa escapar um pequeno sorriso enquanto continua caminhando pelo palco. Algumas portas do teatro se abrem e as primeiras fileiras começam a ser ocupadas.

    Agora, deixem-me apresentar o oposto. Darby Allin.
    Você é o tipo de artista que olha para um palco e pensa em todas as maneiras possíveis de destruí-lo. Não existe conforto, beleza convencional ou preocupação em deixar alguma coisa intacta quando a apresentação termina. Você transforma queda em linguagem, dor em expressão e destruição em espetáculo.
    Isso faz de você teatro experimental. Enquanto a maioria entra naquele ringue tentando provar que sabe exatamente o que está fazendo, você parece mais interessado em descobrir até onde consegue levar aquilo antes que tudo desmorone. Você não luta apenas contra os homens diante de você. Luta contra a própria ideia de limite.
    Só existe um problema, Darby. No teatro experimental, às vezes o artista se apaixona tanto pela própria obra que esquece que existe uma plateia observando.
    E naquela Ladder Match, enquanto você estiver ocupado tentando transformar sua queda em arte, eu estarei ocupado garantindo que todos se lembrem de quem realmente conduziu a apresentação.


    Mais pessoas entram no teatro enquanto Seth retorna ao centro do palco.

    Porém, existem shows que não precisam dessa arte, aí entra o nome de Dominik Mysterio.
    Você entra em cena como quem nasceu para ser observado, fala como uma estrela e consegue transformar até o próprio desastre em parte da apresentação.
    Isso é um musical. Barulho, personalidade, exagero e alguém que nunca parece satisfeito enquanto não está no foco.
    E eu vou dar crédito onde merece: Dominik entende algo que muitos esqueceram. Wrestling não existe apenas para ser vencido. Ele precisa ser assistido.
    Só existe uma diferença entre saber entreter uma plateia e ser a razão pela qual ela continua sentada.

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    1. E talvez seja justamente por isso que eu tenha deixado Ludwig Kaiser para depois. Existem homens que precisam conquistar a atenção do público, mas Ludwig nunca precisou.
      Eu o conheço. Seria hipócrita fingir que não existe certo apreço da minha parte. Ele entende que não basta entrar em cena. É preciso fazer com que todos percebam quando você entrou.
      Mas talvez esse seja justamente o problema.
      Ludwig Kaiser é uma Ópera: grandiosa, elegante e cheia de pompa, como se cada segundo precisasse provar que pertence a algo maior.
      Ele entra como se já soubesse o final da história, como se a música tivesse sido composta para ele e o palco construído para suportar sua grandeza.
      É uma apresentação magnífica, Ludwig. Não vou tirar isso de você, mas existe uma diferença entre ser uma grande atração e ser o espetáculo inteiro.
      Mas toda Ópera termina. Quando a música cessa, Sansho transforma o palco em um ritual. Cada palavra, movimento e combate carregam um significado que somente você parece compreender.
      Se existe um gênero para isso, Sansho, é o teatro ritualístico. Você fala sobre equilíbrio, iluminação e forças opostas. Transformou o ringue em um templo e seus adversários em obstáculos para alcançar uma verdade maior.
      Mas existe algo que esqueceu. No fim, ainda há uma escada esperando por você.
      Talvez você encontre equilíbrio. Talvez iluminação. Ou talvez apenas seis homens tentando arrancar o campeonato das suas mãos.
      E então, depois do espiritual, chegamos a uma história escrita pelo próprio tempo.
      Stan Hansen.
      Décadas de estrada, violência, cicatrizes, derrotas e vitórias. Hansen deixou o palco, voltou para ele e agora encara uma geração que não conheceu o mundo que ele ajudou a construir.
      Eu respeito isso. Mas toda história precisa chegar ao seu último ato.
      Talvez, Stan, essa Ladder Match seja justamente isso. Seu último grande palco.
      Mas você não voltou para um palco vazio.
      Você voltou para um palco onde eu estou.


      Seth permanece no centro do palco. As luzes da plateia se acendem completamente, revelando o teatro tomado pelo público. Aos poucos, as primeiras pessoas começam a se levantar.

      E agora que todos vocês conheceram os personagens, talvez seja hora de falar sobre o verdadeiro espetáculo.
      Olhem ao redor. Este teatro está cheio porque todos querem descobrir como essa história termina. Querem saber quem será o último homem de pé, quem alcançará o topo da escada e quem sairá carregando o NWA Worlds Heavyweight Championship.
      Mas eu já sei o que esse campeonato representa.
      O NWA não atravessou gerações, não sobreviveu a eras e não chegou até aqui para ser carregado por qualquer homem.
      Ele precisa de alguém à altura daquilo que representa. Alguém que não apenas conquiste o campeonato, mas que dê a ele um significado maior.
      E depois de tudo que vocês acabaram de assistir, existe realmente alguma dúvida sobre quem é essa pessoa?
      Cada um dos citados são pequenos shows nessa indústria. Cada um com sua história, seu gênero, sua própria maneira de prender a atenção de uma plateia.
      Eu sou o verdadeiro espetáculo, eu sou Seth “Freakin” Rollins.
      E quando as cortinas finalmente se fecharem, não haverá aplausos para seis homens, mas sim para o único homem que conseguiu transformar uma luta em uma obra-prima.
      O campeonato não será apenas conquistado, será elevado.
      Porque quando o espetáculo terminar, todos vocês saberão exatamente quem é o protagonista: Eu.


      Por alguns segundos, o teatro permanece em silêncio. Então, uma palma surge entre o público, logo acompanhada por outras, até se transformar em uma grande ovação. Seth permanece no centro do palco, sorrindo enquanto recebe a reação.
      Ele abre os braços, faz uma breve reverência e caminha em direção às cortinas. Antes de desaparecer, olha uma última vez para o público e solta sua característica gargalhada.
      As cortinas se fecham lentamente enquanto os aplausos continuam ecoando. A silhueta de Seth desaparece, mas sua gargalhada ainda pode ser ouvida por alguns instantes.
      As cortinas se fecham completamente, encerrando a gravação.


      Seth “Freakin” Rollins

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  5. Ah… que momento. Desde que eu era apenas um pirralho, um cotoquinho de gente com um sonho grande demais pra aquele tamanho, eu já sabia que esse dia chegaria. Eu sonhava com essa oportunidade. Sonhava com o momento em que finalmente teria nas minhas mãos aquilo que separa os bons dos grandes.

    O que eu vejo não é apenas um título. É o símbolo daquilo que um verdadeiro aspirante ao topo precisa carregar na cintura. É a prova de que, quando você tem talento, presença, ambição e, principalmente, o pedigree certo… o topo não é um objetivo, é o seu lugar de direito. E no momento, esse título está na cintura de um comissário da morte que parece ter saído diretamente de um videoclipe do Tokio Hotel. E essa é a imagem que vocês realmente querem quando pensam em um campeão americano? Não me façam rir.

    Um campeão de verdade não precisa se esconder atrás de um personagem, de maquiagem, de rímel no olho ou de todo esse teatrinho pra convencer as pessoas de que é perigoso. Eu nunca precisei de escuridão para me tornar o homem que sou. Aliás, onde você acha que está? No lado sombrio da Força, com um sabre vermelho enfiado no rabo? Infelizmente, irmão… eu não sou muito chegado em Star Wars. Mas tenho certeza que, se você tivesse a idade do The Rizzler, seria exatamente aquele moleque que ficaria caidinho pelas edits do Anakin Skywalker no TikTok, usando foto de perfil preta e branca e achando que virou o próprio Edgelord.

    Você pode ter sido uma lenda por onde passou. Pode ter construído uma carreira que merece respeito. Mas existe uma diferença entre carregar um legado e ficar preso dentro dele. Porque carregar 100 quilos nas costas, carregando seu irmão Kane durante boa parte da sua carreira, pode até fazer você parecer forte, mas também explica por que você nunca conseguiu ir muito além de certo ponto. E agora você está aqui, tentando convencer todo mundo de que ainda é o homem mais assustador da sala. Mas é aí que eu começo a discordar dessa sua filosofia barata de escuridão, purificação e abnegação.


    Você diz que um campeão não deveria buscar grandeza para si mesmo. Que a ambição é uma fraqueza. Que o ego precisa ser destruído. Que devemos nos curvar diante de algo maior que nós. Eu digo exatamente o contrário.

    Eu aceitei uma GLORIOSA ideologia.

    Uma ideologia onde eu não preciso me ajoelhar diante de ninguém. Não preciso de um Ministry of Darkness, de acólitos, de tochas, de feitiços ou de um bando de homens vestidos de preto pra me dizer qual é o meu lugar. Eu sei muito bem onde pertenço.... e sabe qual é a melhor parte? Eu não estou sozinho. Enquanto vocês dois escolheram viver nessa escuridão, presos dentro desse teatrinho de Morte, trevas e almas condenadas, eu encontrei algo que vocês aparentemente esqueceram que existia: pessoas. Gente de verdade. Um público. Uma geração que não precisa de medo para seguir alguém.

    Você fala que esse título não deveria representar desejo pessoal, mas serviço. Que você é apenas um instrumento de algo maior. Então me explica uma coisa, Undertaker: se realmente não existe vaidade nisso, por que diabos existe uma cerimônia inteira no meio do Death Valley, com seus acólitos recitando feitiços enquanto você é coroado como algum messias das trevas? Isso não é abnegação, é apenas ego com uma capa preta tentando esconder toda merda em baixo do tapete..

    E talvez seja justamente essa a diferença entre nós. Você precisa transformar tudo em uma profecia, eu prefiro olhar para os fatos. Você precisa de uma corte para anunciar sua importância. Eu entro no ringue e deixo o meu trabalho falar. Você quer que as pessoas se curvem diante de uma lenda. Eu quero que elas testemunhem alguém construir uma nova....Você passou tanto tempo dizendo que o homem precisa aceitar a própria insignificância que esqueceu de uma coisa bastante simples: algumas pessoas não nasceram para aceitar o tamanho que o mundo decidiu dar a elas.

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    1. Eu sou uma delas. Eu não tenho vergonha de querer mais, não tenho vergonha de querer esse campeonato, de querer reconhecimento ou de querer deixar meu nome marcado nessa empresa. Isso não é uma doença que precisa ser arrancada da minha alma. É justamente o que me trouxe até aqui, e quando você diz que a Morte decide quem permanece, eu só consigo pensar em quantas vezes você já declarou o fim de alguém que continuou andando depois que você foi embora.

      Então olhe bem para mim, Undertaker. Você tem a escuridão e décadas de história e uma mitologia inteira construída ao seu redor. Eu não vou fingir que isso não significa nada. Você quer me purificar? Tente. Porque eu não vim aqui para ser salvo dos meus defeitos. Eu vim com todos eles. Com minha arrogância, minha confiança, minha fome e essa certeza absolutamente insuportável de que sou melhor do que você.... E talvez você esteja certo sobre uma coisa: o ego pode destruir um homem, mas também pode colocá-lo no topo quando ele tem talento suficiente para sustentá-lo.

      Então aproveite sua coroa enquanto pode, continue cercando-se de sombras e dizendo que controla o destino dos outros. Quando a campainha tocar, quero ver quanto dessa escuridão continua existindo quando você estiver olhando diretamente para mim. Porque naquele momento não haverá profecia, não haverá purificação, não haverá Ministry of Darkness. Só vai existir um homem tentando manter aquilo que tem e outro que nasceu para tomar.

      E quando esse título finalmente estiver na minha cintura, você vai descobrir que o topo nunca precisou de um rei das trevas, só precisava do homem certo, e esse homem sou eu.


      Nic. Fucking. Nemeth.

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  6. O vídeo começa com a interface clássica dos Stories do Instagram. O usuário é @TheTopM. No meio da tela, há uma caixinha de perguntas com o texto: "Qual a sua opinião sobre o nome Midnight Violence?"

    A imagem mostra Full Package Mogger gravando a si mesmo em modo selfie. Ele está no banco do motorista do seu Bugatti Chiron.

    Full Package Mogger: Midnight Violence...Esses betas não têm jeito. Olha o nome patético que eles escolheram para o show...

    Full Package Mogger: Sabe o que um homem de alto valor como eu está fazendo quando o relógio bate meia noite? Eu estou trabalhando! Eu estou rejeitando essas foids hipergâmicas! Vocês, betas, ou estão na balada pagando combo pra quem você não têm nenhuma chance de manetr um relacionamento ou brigando entre si igual idiotas.

    O Story pula. A próxima caixinha de perguntas diz: "Oba Femi vai te esmagar, ele é um monstro!

    Full Package Mogger: Vocês, incels, confundem retenção de líquido e gordura visceral com força! Oba Femi não é um monstro. Ele é um balão de carboidrato simples e sódio. Eu o vi no aeroporto, andando curvado como um beta provedor cansado. E ele vai me prover aquele World Heavyweight Championship! Hahaahah

    Mais um corte no Story. A nova caixinha diz: "A Akira Hokuto não tem medo de homem! Vai bater de frente com você!

    Mogger solta uma gargalhada genuína, joga a cabeça para trás e depois encara a câmera com um sorriso de escárnio.

    Full Package Mogger: Essa foid não serve nem para lavar as louças! Imagina estar lutando contra mim? The Top M! Full Package Mogger! Você vai sair daquele ringue implorando para ser uma dona de casa submissa, porque o looksmaxxing pune quem tenta quebrar a hierarquia natural das coisas!

    O próximo story já é Mogger falando sozinho para a câmera, sem caixinhas.

    Full Package Mogger: Chega de responder pobretões por hoje. A brincadeira está prestes a acabar. O Oba já sabe que perdeu e nem vai tentar, a Akira volta pro muquifo dela, e o Título Mundial... vai ganhar um upgrade genético. O Full Package Mogger será o campeão, porque o ouro só brilha de verdade em quem está no ápice da cadeia alimentar!

    O último story da sequência mostra um anúncio do novo curso de Mogger: como ser um homem de alto valor em 2026 por apenas U$ 2.000,00!

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  7. Stairway to Gold and The Responsibilities of a Champion.

    [Hansen está sentado novamente na mesma cadeira em sua varanda de casa. É um dia árido no Texas e na fazenda do campeão, ele tem uma caneca de cerveja ao seu lado.]

    Eu sinto em alguns momentos que o tempo está me ultrapassando. "Assim é a natureza da vida", eu sempre escutei. Sempre achei que seria diferente para mim, creio que estava errado nessa avaliação. Eu não tenho mais a mesma rotina de trabalho de antes, não estou na estrada 300 dias no ano e nem visitando diferentes países constantemente. Após o fim da WAR, retornei ao Texas e aqui irei morrer, muito provavelmente.

    É engraçado, desde que voltei para cá me encontrei com pensamentos que anteriormente estavam esquecidos. Lembranças, costumes e manias. Penso muito no meu pai ultimamente. Um grande homem, um homem com quem muito aprendi. Ele costumava dizer que não entendia a minha geração, que éramos rebeldes demais, que não respeitávamos os outros como antigamente. Agora sou eu quem fala isso para os meus filhos. E é verdade, eu não entendo essa nova geração. Eu não entendo principalmente o que o Wrestling se tornou.

    No meu tempo, não precisávamos sentar para gravar mensagens gravadas dessa forma. O ringue era o fundamental. Ganhávamos nosso sustento lá, como homens em uma disputa para ver quem era o mais forte. Hoje, cá estou falando com sabe-se lá quem para sabe-se lá o quê. Minha esposa, muito mais sábia, diz que preciso me adaptar aos novos tempos... Ela deve estar certa, é um ciclo natural, queira ou não. Porém, ainda é difícil, devo admitir.

    Quando me foi oferecida a disputa pelo título da NWA novamente, eu discuti comigo mesmo se ainda era algo que cabia a mim. A rotina, as viagens, o desgaste... Eu não entendia bem o motivo de ainda querer possuir esse título, muito menos entendi quando me avisaram que seria numa luta de escadas. Eu não receio ser direto, isso é uma grande estupidez. É um título de respeito, coloque-o em disputa por 2 grandes lutadores e o melhor que o tenha ao final. Luta de escadas...

    Eu me lembro quando era criança e via meu pai subir em escadas para consertar o telhado ou para limpar as calhas da casa. Eu não sei bem o porquê, mas eu olhava para ele no topo daquilo e pensava que era a coisa mais legal possível. Quando ele estava no trabalho e minha mãe saía para fazer as compras, eu pegava a escada escondido junto aos meus irmãos e ficávamos subindo nela. Víamos todo o nosso entorno de cima daquela escada.

    Um dia, meu pai nos pegou no flagra... Oh boy, foi difícil aquele momento!

    [Hansen dá um gole em sua cerveja no meio de um sorriso amarelado.]

    Meu pai nos deu uma surra por termos feito aquilo. Ele nunca nos deixava brincar com suas ferramentas e, querendo ou não, a escada era uma ferramenta. Ela servia a um propósito: o ajudar a limpar nossas calhas e consertar o nosso telhado. Ele nos ensinou isso no dia seguinte, meu pai. Eu nunca esqueci esse ensinamento: quando se faz algo, se faz por um motivo e para alcançar algo. Ele costumava dizer que não se atira duas vezes num cervo se irá matá-lo com o primeiro tiro. Creio que essas lembranças me convenceram a aceitar o desafio. Eu pretendo subir a escada apenas uma vez e pretendo também fazer com que não seja desperdiçada essa oportunidade.

    Quando contei para minha esposa sobre estar disputando os Ten Pounds of Gold novamente, ela não foi uma grande entusiasta da ideia. Me relembrou do tempo que passei longe de casa. Viemos morar no Texas com o pensamento de enfim descansarmos em paz, termos uma vida pacífica e tranquila. Há pontos positivos, é verdade. Não quero soar repetitivo, mas acho peculiar os pensamentos que me aparecem. Me reconectei, de certa forma, com um homem que não fui por grande parte da minha vida. Mas, na vida, quando se percorre um caminho por tempo suficiente, é difícil fazer curvas ou voltar atrás.

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    1. Às vezes me deito para dormir no silêncio que aqui faz e sinto meu coração acelerar... São lembranças também, lembranças das noites em que 15, 20, 70 mil pessoas gritavam o meu nome, seja com admiração ou com revolta, enquanto eu acabava com a raça de algum filho da puta. Há algo que vocês não entendem sobre a nossa vida. Muitos fãs pensam que as marcas que levamos para o resto de nossos dias por aqui são as lesões. A dificuldade para levantar da cama, a dificuldade para andar, etc. É verdade, Deus sabe o quanto os anos de estrada me custam uma vida verdadeiramente pacífica, mas essa não é nem de perto a maior herança, se assim podemos chamar, de uma carreira de quase 40 anos como a minha. Meu corpo não compreende a noção de dormir e acordar cedo sem antes passar por 15 bumps, picos de adrenalina e trocas de socos. Ele não consegue mais voltar atrás e eu também não.

      É difícil explicar para a minha mulher que pretendo voltar para aquilo que passei tanto tempo reclamando para ela mesmo. Mas, bem, é uma das coisas que costumo chamar de "Responsabilidades de um Campeão". Quando olho para os meus oponentes dessa disputa, eu não consigo ver o suficiente. Eu não consigo enxergar alguém capaz de obedecer e cumprir tais responsabilidades. Ser campeão é mais do que carregar um pedaço de ouro por aí. Você precisa sacrificar, precisa deixar um exemplo definido e uma régua daquilo que se espera de todos os outros no vestiário. Eu não vejo líderes. Sendo honesto, não vejo Homens também.

      Há um, na verdade, que me chamou mais a atenção. Kahuna Joe, acredito. É um garoto grande, forte. Imagino que existam comparações entre nós e, na verdade, não irei dizer que são infundadas, afinal, me vi um pouco no rapaz. Há vantagens e desvantagens com a idade. Joe me parece mais rápido do que sou agora, talvez mais forte também, mas aí entram as vantagens que estou a tentar explicar. Quando se olha em um espelho, muitas vezes não enxergamos a imagem 100% concreta. É o que vejo em Joe em certos momentos. Ele está em um bom caminho, mas a sua vontade de ser o que deseja o impede de ver quem de fato é. Eu sei como o quebrar porque eu quebrei anos atrás. Novamente, não quero ser repetitivo, mas essa é a vida. Esse é o ciclo natural.

      Quanto aos outros... Deus, o que falar. Eu não vou vir aqui e declarar que sei tudo sobre cada um deles, sou um homem honesto e estaria traindo a mim mesmo se assim agisse. Mas quando falo sobre não entender o que o Wrestling se tornou, dois dos garotos me vêm à cabeça. Vivem de conversas fiadas e teatros. Me parecem atores em um filme de baixo escalão. São do tamanho de um arbusto de quintal e procuram em suas imaginações justificativas para se entenderem como grandes.

      Há também os outros três, Rollins, Kaiser e Dominik, se me recordo bem. Eu vi milhares de lutadores como eles na minha vida. Bonitinhos que sabem fazer de tudo dentro daquele ringue e se sentem superiores por isso. Ou, no caso de Dominik, que entrou na indústria pela fama e pelos rabos de saia que o esperam após cada show. Eu aprendi com o Wrestling e com os meus anos que homens como esses não duram o suficiente. Todas as suas técnicas e poses caem ao primeiro soco no rosto. Não me falem de nada mais do que isso, me chamem de ultrapassado ou do que quiserem, mas todos na luta são sintomas daquilo que esse esporte está se tornando. Lutam por fama, preciosismo ou para viver seus sonhos de grandeza... É meu trabalho consertar isso, ainda mais quando se trata desse título.

      Há uma grande batalha pela frente apesar de tudo isso e, dessa vez, meu Lariat não será o suficiente para alcançar a vitória. Acredito que seja isso que minha esposa acenava quando me aconselhava a me adaptar aos novos tempos. Portanto, se será preciso subir em uma escada para vencer o título que eu tornei relevante... Que assim seja e assim será feito. Sem desculpas, rodeios e histórias. O NWA Worlds Heavyweight Title voltará comigo para o Texas e eu dou minha palavra para isso. Essa também é uma responsabilidade de campeão.

      Stan Hansen.

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  8. Alinhando os chakras. Sentindo a paz. Em breve vocês verão o que sairá disso. Ainda estou me recuperando das últimas sessões. Estive ausente por um tempo. Estou me preservando para a luta. Tenho apenas um recado para cada um de vocês.

    Dom, eu tenho pena de você. Nem gastaria palavras contigo.

    Kahuna, já lutamos um contra o outro. E você sabe que você ganhou de mim e eu respeito seu profissionalismo. Mas sejamos sinceros, você não tem agilidade o suficiente para lidar com uma luta de tantos wrestlers. Você conseguiu com suas artimanhas se livrar de mim, mas contra nós você não tem chance.

    Hansen, espero que sua idade não lhe traga problemas. Quando estiver subindo a escada, saiba que está mais próximo do fim do que do início. Não faça loucuras, não estaremos lá para lhe ajudar. Sua mobilidade cintura abaixo é semelhante ao seu campo de disputa. Talvez seja bom, mas só abaixo da terceira corda.

    Allin, você não tem nem psicológico para isso. Se mate como quiser. Pode ir até o Alaska e não verá uma luz que possa lhe saciar, você é um doente! Eu estou aqui para ganhar, você está aqui para causar.

    Rollins e Kaiser, vocês são as minhas verdadeiras preocupações. O ying e o yang. Vocês são os melhores fisicamente. Os melhores em repetição. Não tenho dúvida que vocês me darão trabalho, mas cá entre nós, nenhum de vocês é um kicker tão bom quanto a mim. Nenhum de vocês é tão bom pelo alto. Nenhum de vocês fez tanto com tão pouco.

    Sansho, o cansado

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  9. Em um inóspito ringue, em localidade desconhecida, os 'Acolytes' da Ministry of Darkness são vistos decorando-o com tochas e seu símbolo cruciforme. Em um ritual de expiação, os sacerdotes sacrificiais de Undertaker submetem o 'Lord' a punições físicas como parte da penitência do líder. Sob as ordens do mesmo, o ritual é conduzido para limpar a mancha da derrota. Atado à cruz, o Sumo Sacerdote obtém a punição das trevas pela própria arrogância e a brusca realidade de que sua carne falhou com o "Poder Maior".

    Um dos encapuzados 'Acolytes' se posiciona para o início de um monólogo, enquanto o líder permanece sofrendo as consequências.


    "O 'Lord of Darkness' se tornou fraco, demonstrou compaixão humana, e isso o enfraqueceu. Um objeto sagrado que fora corrompido pela entropia biológica... Punimos o pecador não por glória pessoal, e sim porque transgressões contra a lei das trevas exigem expiação. Não temos espaço para o seu calcanhar de Aquiles. Apenas os fortes sobreviverão."

    "Você não é um lutador comum — você é a inelutabilidade transmutada em um ser metafísico, uma força da natureza incumbida de manter o frágil e volátil equilíbrio do universo."

    "Você construiu um império onde o tempo parecia ajoelhar-se diante da sua vontade. Você não apenas vencia combates; você construiu uma anomalia ontológica e estatística. O cataclismo e o colapso das suas duas derrotas seguidas na World Tag League confirmam a regra suprema e melancólica do universo de que até mesmo a encarnação metafórica da Morte sucumbe, eventualmente, à inexorabilidade do tempo."

    "Um momento sísmico, como os reveses, não define o desafio que você fez à lei da física temporal. Está na hora de ansiar novamente pela sua hegemonia vociferante, construída em décadas de intimidação, e pelo seu poder avassalador de transformar o ringue em um ponto geográfico e espiritual de transição direta entre o mundo ativo dos vivos e a quietude eterna do mundo dos mortos."

    "Seu zênite exige a conservação dos princípios de sua filosofia enquanto 'Lord of Darkness'. Desmantele as estruturas de poder e expurgue a fraqueza; faça Nic Nemeth arrepender-se de ousar se sobrepor a um ser que ele não consegue compreender. Demonstre que você ainda é o Sumo Sacerdote das Trevas; ainda há almas na Wrestling Society para serem purificadas. Ninguém quer assistir aos pós-créditos de um filme ruim. Você ainda não morreu; você é um ser inteligível, forjado pela liminaridade entre o céu e o inferno. Você nos ensinou que o sofrimento purifica a carne; receba-o e recupere a dignidade perante a "Força Maior"."

    "Nic Nemeth, receba dos sacerdotes do 'Lord' essa profecia, em que a sua Lei Fúnebre será devidamente respeitada, e o direcionamento de sua alma seguirá de forma segura para as entidades que regem este mundo. Lembre-se: o que você compreende sobre o Planeta Terra é apenas um frasco sobre a totalidade — você chegou sem saber quem é o dono da festa, está de penetra, e ela não é sua."

    "Esteja preparado para alterar suas contas nas redes sociais para memórias póstumas, pois o juiz do submundo advertirá a tirania de se rebelar contra a ordem natural da vida terrena. A inevitabilidade do destino não é uma punição; assim como o nosso nascimento trouxe o mundo à tona para nós, a morte física encerra o nosso universo. Logo, não há nada a temer de um estado onde não há consciência para lamentar a perda."

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    1. "Se não romper com o ambiente, você se torna ele — e, na Wrestling Society, você se sujeitou e se subordinou à corrupção que assombra a moralidade das relações sociais que aqui o cercam. Tal como Judas, 30 moedas de prata o compraram, e, com você, levaram o próprio bilhete de ida para o altar de sacrifício. Você achou que o ouro e o poder desta sociedade o protegeriam da ira? Tolice. As mesmas moedas que hoje pesam no seu bolso amanhã servirão para fechar os seus olhos no caixão."

      "Antes de ajudar alguém na lama, procure saber por que ele está lá. Você ainda acredita estar nadando em direção à superfície, Nic. Não percebeu que, a cada movimento, apenas afunda mais profundamente nas águas que você mesmo escolheu. A Glorious Society é apenas mais um pedregulho para o seu escrutínio."

      "Vocês entram nesta arena sem entender que a estratégia primordial do nosso Sumo Sacerdote, The Undertaker, passa por capitalizar brutalmente sobre as vossas fraquezas humanas. Ele instila o pavor paralisante em vossas almas muito antes de a sineta soar, sufocando-vos através da escuridão das arenas, de rituais macabros conduzidos por druidas encapuzados e dos trovões estrondosos que ressoam pelo sistema de som. E quando ecoa, sobretudo, o gélido eco singular do seu icónico gongo de entrada, saibam que vocês já estão diante da materialização súbita e inevitável do horror ontológico. Nós fomos ensinados a desmantelar psicologicamente o adversário antes mesmo de ele alcançar o ringue, provando, uma e outra vez, que um oponente dominado e asfixiado pelas correntes do medo já perde o seu combate muito antes de sofrer o primeiro golpe físico do nosso 'Ministry'."

      "Quem nasceu para brilhar pode tomar vários socos; a coroa nunca sai da cabeça... Só levante a voz contra o 'Lord' quando você tiver um título de lenda. Estas mãos construíram o privilégio do Wrestling para você. Judas da Wrestling Society... nós te perdoamos; somos melhores que você."

      "Não faça falsa modéstia, Nic. A realidade muitas vezes tende a ser decepcionante. Sua almeja pelo título é igual a uma fumaça preta de cigarro, preenche seu vazio da mesma forma que te mata. Pare com essas ações que se assemelham com um cachorro vira-lata que pressupõe ser dono da rua, pois quando se late muito, acaba encontrando a carrocinha."

      "À Glorious Society... curvem-se e clamem! Vocês receberam a dádiva sagrada de serem purificados pelo Lord of Darkness, assim como os dois outros integrantes já sofreram. A sua mente fraca enxerga isso como agonia e sofrimento. Não... isso é a libertação da sua carne. As balanças do próprio inferno se equilibram através do sangue do seu sacrifício. Não chorem... sorriam nas profundezas do abismo. Pois mesmo no abraço frio da morte, suas almas agora pertencem ao "Poder Maior"!"

      "A verdade vos libertará. E o elo mais fraco da corrente cairá. Uma facção de fantoches... confesse seus pecados, Nic. Suas cicatrizes estão expostas... e o arrebatamento está antecipado."


      Os 'Acolytes' presenciam o sangue de Undertaker escorrer pelo ringue, enquanto o monólogo e o ritual é encerrado.

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  10. [A cena se passa novamente no Hart Dungeon, o famoso centro de treinamento dos Harts fundado por Stu. Embora a atmosfera pudesse ser nostálgica, afinal Bret e Owen ali regressaram mais uma vez, possivelmente a última antes da final da World Tag League, notava-se, na verdade, um ar sério. Os irmãos Hart estavam engalfinhados no chão, treinando golpes e submissões como de praxe, até que Owen, ao perceber que Bret baixou a guarda levemente, encaixou um forte headlock em seu irmão. Após alguns segundos de dificuldade, Bret conseguiu se desvencilhar de Owen e reverteu completamente a situação, encaixando um devastador Sharpshooter. Sem ter para onde ir, Owen pediu arrego e logo levantou-se, questionando Bret:]

    Owen: O que foi isso, Bret? Você ficou louco? A final vai acontecer em pouco tempo, nós temos que ficar inteiros para termos condições de enfrentar a Berzerk! Desse jeito chegaremos lá com mais dores do que já estamos sentindo. Naito e Taichi descansaram, puderam ver o combate de camarote, e nós? Demos o nosso sangue e suor para que conseguíssemos chegar à final, mas a que custo? Dores, hematomas, vermelhidão são marcas de guerra, mas elas pesam e cobram seu preço!

    Bret: Você quer descansar agora, Owen? Eu apenas estou fazendo com você o que eles certamente farão conosco! Ou você espera que Naito e Taichi peguem leve? Eles entrarão naquele ringue para acabar com as nossas vidas! Eles não querem saber se descansamos ou se treinamos ininterruptamente, eles querem saber de levantar o troféu da World Tag League! E você, Owen? Quer vencer também, certo? Pois esse é o preço a se pagar. Nós sentiremos mais dor. Nós ganharemos mais hematomas. E a que custo? A custo de fazermos o que sempre fazemos de melhor: lutar sem hesitar.

    [Bret olha por alguns segundos para aquela mesma estante repleta de medalhas e troféus que outrora fora alvo da admiração dos irmãos Hart. Aquele mesmo espaço vazio na estante continua ali, agora empoeirado.]

    Bret: Você se lembra da primeira vez em que olhamos para aquele mesmo espaço vazio na estante, Owen? Mesmo com todas as medalhas e troféus ali presentes, nós somente imaginávamos o troféu da World Tag League preenchendo aquele último espaço. Pensávamos no quão especial seria vencer este torneio e no quão significativo isso seria, não somente para nós dois, mas também para nossos pais. Nosso pai, Stu, que passou dias e noites nos treinando, ensinando-nos tudo o que aprendemos hoje, mas também nos acalentando a cada tropeço. Nossa mãe, Helen, que sempre nos dizia que a uma das grandes virtudes de um Hart era o grande coração e que sempre fazia questão de frisar que a garra é a nossa maior força motriz. Seria o nosso arco de redenção depois de tudo o que passamos, não seria? Nós calaríamos de vez todos os que nos reduziram à tradição, nós mostraríamos de uma vez por todas que merecíamos chegar onde chegamos! Mas como faremos isso, Owen?

    Owen: Lutando?

    [Bret acena positivamente com a cabeça.]

    Bret: Exatamente, irmão! Esse é o espírito da coisa! Enquanto nós pensamos em descanso, a Berzerk pensa em cada movimento para nos neutralizar. Se nos sentirmos acomodados o suficiente, é o fim da linha. Não podemos deslizar mais uma vez, Owen. Nós simplesmente não podemos. Não há mais margem para erro.

    Owen: Nós aprendemos a nossa lição, Bret. Por um descuido, deixamos a Glorious Intellect nos vencer, mesmo que de forma suja, mas nós demos a volta por cima. Nós deixamos claro que são águas passadas. Agora, os nossos alvos são outros, como você bem me disse ao me abrir os olhos, irmão. Naito e Taichi... Como bem sabemos, eles vêm nos observando de perto, mas o contrário também é verdadeiro, não é? Olha, Naito e Taichi, sinto em lhes informar, mas de nada adiantarão as suas ironias e piadas. Enquanto vocês focam na comicidade da coisa e na ridicularização dos seus oponentes, eu e meu irmão fazemos um show de verdade, digamos. E esse show sempre acontece quando somos escalados para algum combate, porque o ringue é o nosso palco e o wrestling é o nosso carro-chefe! .

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    1. A diferença é que não nos cabe esperar risos ou reações de tristeza para realçar o sarcasmo; nós dependemos única e exclusivamente de nós mesmos. O nosso show é realçado por treino, técnica e muita força de vontade! E o resultado? Vocês viram bem. Em um caótico combate contra mais duas duplas, a Hart Foundation se sobressaiu quando tudo parecia conspirar contra nós. O grandalhão Kane foi apagado pelo meu Sharpshooter, e tanto a Glorious Intellect quanto os Brothers of Destruction ficaram a ver navios. Fato é que, apesar dos pesares, a nossa ânsia por vencer nunca se foi. Enquanto vocês descansavam e assistiam de camarote, nós estávamos dentro daquele ringue deixando sangue, suor e partes de nós para trás. Agora chegamos à final. Vocês chegam descansados. Nós chegamos machucados. E, sinceramente? Eu prefiro assim. Porque cada hematoma nos lembra exatamente o que tivemos que fazer para chegar até aqui.

      Quando um de nós pensa em alguma desculpa ou em algo que nos coloca para baixo, o outro faz questão de lembrar onde estamos e por que estamos aqui! Isso é irmandade, Naito e Taichi. Não é uma mera parceria como a de vocês. Nós não precisamos de semanas para descobrir se o outro estará ao nosso lado quando tudo der errado. Nós sabemos. Nós crescemos juntos, sangramos juntos e aprendemos juntos. Quando eu cair, Bret estará lá. Quando Bret cair, eu estarei lá. E quando o gongo soar na final, vocês descobrirão que o maior perigo da Hart Foundation nunca foi um de nós sozinho. É saber que sempre haverá dois Harts lutando como um só.

      Bret: Naito e Taichi, vocês podem ter assistido de camarote, descansado e rido enquanto nos matávamos para chegar até aqui, mas como diz o provérbio japonês, “A rã no poço não conhece o oceano”. Vocês acham que o descanso traz vantagem, mas esquecem que o ferro só se torna uma lâmina afiada quando passa pelo fogo e pela bigorna. O vosso teatro e as vossas ironias não passam de folhas secas sopradas pelo vento diante de uma raiz profunda que foi alimentada no porão mais implacável do mundo.
      Vocês trazem a pose, a zombaria e a falsa segurança de quem nunca precisou suar o próprio sangue para conquistar nada. Mas como bem ensina outra sabedoria oriental, “Vencedores não são aqueles que nunca falham, mas aqueles que nunca desistem”. Nós caímos, sangramos, acumulamos hematomas e sentimos cada centímetro do peso desta jornada — e é exatamente por isso que vocês vão perder. Porque a dor que tentam nos impor é a mesma que forjou o nosso aço.
      A Berzerk é apenas um obstáculo temporário no caminho para preencher aquele espaço vazio na nossa estante. Enquanto vocês contam com o conforto, nós contamos com a nossa irmandade, com a técnica implacável e com a herança do nosso pai, Stu. No ringue da final, não haverá piadas que vos salvam, nem camarote que vos proteja. Quando o gongo soar, vocês descobrirão da forma mais dolorosa possível que a água calma de um riacho artificial jamais será páreo para a fúria de um oceano verdadeiro. A Hart Foundation vai prevalecer, e o troféu da World Tag League finalmente encontrará o seu verdadeiro lar.

      Vocês sentam nesse estúdio cercados de confetes e taças de champanhe como se fossem donos de uma empresa, mas vocês não entenderam como as coisas realmente funcionam. Vocês insistem em trazer mais e mais coisas da WWF para provarem o seu ponto, mas nós sabemos da verdade. Taichi, você tem a pachorra de erguer esse cinturão e chamar a si mesmo de supremo, mas esquece o detalhe mais patético da sua própria história: você foi nocauteado e humilhado pelo próprio parceiro que está sentado ao seu lado! Naito te derrubou como a um garoto indefeso nas quartas de final do KOTR, e agora vocês fingem que essa rusga interna não existe? Que tipo de irmandade de mentira é essa onde o orgulho ferido é varrido para debaixo do tapete para manter as aparências na televisão? Vocês não passam de uma farsa conveniente.

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    2. Vocês zombam de quem sonha e de quem usa o coração, escondendo a falta de culhão atrás de tabelas de pontos e estatísticas de bloco. Mas números em uma planilha não bloqueiam um Sharpshooter, e pontos conquistados no conforto de quem assistiu aos outros se matarem não vão salvar vocês quando a realidade bater à porta. A nossa tabela foi escrita com sangue, suor e costelas trituradas no Hart Dungeon, enquanto a de vocês foi construída à base de folga e covardia.
      Quando o gongo soar na grande final, não haverá câmeras, nem auditório rindo das piadas do Naito, nem terno branco do Taichi que aguente a pressão. Vocês passaram o torneio inteiro de camarote, descansados e seguros no mundinho de vocês, mas esqueceram o mais importante: quem nunca aprendeu a rastejar na lama não sabe lutar quando o chão desaparece. Nós vamos arrancar essa marra de vocês no tapete, um golpe de cada vez, e provar de uma vez por todas que a Hart Foundation não joga o vosso joguinho de comédia, nós destruímos ele.

      Owen: Vocês, Naito e Taichi, foram de fato vencedores até certo ponto, afinal vocês foram capazes de liderar seu bloco e fizeram questão de humilhar seus adversários como se eles não fossem nada. Vocês chegaram invictos pra essa final, soberbos, mas a reviravolta está para acontecer. De um lado está a Hart Foundation, mais forte do que nunca, calejada, porém humana e ciente de suas limitações. Do outro lado está a Berzerk, que vive se escondendo atrás da arte do convencimento e do falso espetáculo. Vocês trouxeram suas piadas, títulos, histórias de outro lugar e tudo aquilo que os fez grandes, mas aqui, na Wrestling Society, nada disso é efetivo. Em nada isso nos afeta. De nada isso nos importa. Nossa mente está centrada somente em um objetivo: na grande final da World Tag League. Somente assim a poeira que ocupa o local vazio da nossa estante dará lugar ao tão sonhado troféu que sairá da nossa imaginação para as nossas calejadas mãos. Lembremo-nos do que nossa mãe sempre nos dizia, Bret:

      [Owen estende a mão sobre o ombro de Bret e os irmãos dizem em uníssono]

      Clear eyes, full hearts, can't lose.

      Bret and Owen, The Hart Foundation

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  11. Um clarão toma conta do ambiente. O invicto Big Kahuna, de pé e apoiado nas paredes cinzas do backstage, observa uma escada de metal posicionada no centro da sala. Ele direciona o olhar para a lente que o grava, inflamando o discurso que precede a luta mais importante de sua carreira na Sociedade.

    Existe uma diferença entre chegar a algum lugar e sobreviver ao caminho até lá. Muitas pessoas olham para um campeonato pendurado acima de uma escada e enxergam apenas o prêmio, a fotografia, o ouro. Eu olho para aquela escada e vejo outra coisa: Tudo aquilo que foi necessário atravessar para chegar até ela. Vejo as noites em que precisei entrar naquele ringue sem saber qual seria o próximo obstáculo, as alianças temporárias que terminaram em traição, adversários que acreditaram poder me derrubar pelas costas, fracotes que descobriram que uma emboscada é muito mais fácil de planejar do que de executar quando a vítima decide permanecer de pé. Vejo Kaiser, Rollins, Sansho, não como indivíduos isolados, mas como partes de uma mesma estrada que começou muito antes de existir uma escada, antes de existir uma vaga na Ladder Chaos e antes de existir qualquer garantia de que eu chegaria até aqui.

    Quando eu olho para esse cinturão, portanto, não vejo apenas um título. Vejo o ponto de convergência de tudo aquilo que aconteceu, cada tentativa de me testar, cada homem que acreditou que poderia transformar meu caminho em um desvio e todos acabaram produzindo exatamente o efeito contrário: Eles me trouxeram até aqui. Existe uma ironia filosófica nisso. Um homem pode passar meses tentando impedir que você alcance determinado lugar e, sem perceber, pode ser justamente a resistência dele que transforma você no homem mais preparado para ocupá-lo. Foi assim que esta caminhada funcionou. Cada combate me ensinou alguma coisa. Alguns me ensinaram sobre velocidade, outros, sobre paciência. Alguns tentaram me vencer através da estratégia, e acreditem, eu aprendi com todos eles sem que eu precisasse admirá-los, mas porque um predador inteligente observa aquilo que pretende destruir. É por isso que eu chego à Ladder Chaos diferente de todos os outros. Não sou um homem que simplesmente recebeu uma oportunidade, como alguns dos participantes que não enfrentaram metade dos desafios aos quais fui submetido. Eu sou o cara moldado por cada obstáculo até se tornar a própria ameaça que esses obstáculos deveriam ter evitado, e agora colocaram sete homens dentro da mesma tempestade, e uma quantidade absurda de violência entre o chão e o lugar onde esse cinturão estará pendurado.

    A Society, a BML e a FWC podem ter escolhido esses homens acreditando que a combinação produziria equilíbrio. Talvez tenham imaginado que sete estilos diferentes seriam suficientes para tornar o resultado imprevisível. Talvez tenham pensado que, quanto mais gente houver dentro daquele ringue, menores serão as chances de alguém controlar a luta. Só esqueceram de uma coisa: eu não preciso controlar todos vocês. Preciso controlar apenas o momento certo. Uma Ladder Chaos não é vencida necessariamente pelo homem mais forte, nem pelo mais rápido, nem pelo mais técnico, mas sim pelo homem que consegue sobreviver ao caos sem permitir que o caos passe a pensar por ele. Enquanto vocês estiverem ocupados quebrando uns aos outros, eu estarei observando. Enquanto dois homens estiverem brigando por uma escada, eu estarei calculando. Enquanto alguém estiver preocupado em provar que é mais violento, eu estarei esperando a violência abrir uma oportunidade, e quando essa oportunidade surgir, eu vou subir. É isso que separa um lutador de um predador. O lutador quer vencer o combate. O predador quer sobreviver ao combate e escolher exatamente o instante em que a vitória se torna impossível de escapar. Eu não preciso transformar a Ladder Chaos em um espetáculo de força, pois ela já será violenta o suficiente sem a minha ajuda.

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    1. Ao som de Demetrius X, eu vou conduzir a "purificação" do negócio na noite em que todas as máscaras caem e ninguém consegue esconder aquilo que realmente é quando existe uma escada debaixo dos próprios pés, uma dúzia de possibilidades de lesão ao redor e um campeonato esperando alguns metros acima. Nesse ambiente, personalidade, reputação e promessas desaparecem. O que sobra é instinto, e eu conheço o meu. Eu sei exatamente o que acontece quando sou colocado diante de uma situação em que não existe saída confortável. Eu avanço. É por isso que não me preocupa ter de dividir aquele ringue com homens que já conheço. Alguns desses rostos já estiveram ao meu lado. Outros já tentaram me colocar no chão, mas no fim, tudo é circunstancial. O único elemento permanente é o objetivo e ele sempre foi o mesmo. O NWA Worlds Championship. Eu passei por cada uma dessas etapas sabendo que, em algum momento, teria que chegar a uma noite como esta, mas dessa vez, não existe mais uma próxima luta para corrigir um erro, nem um amanhã conveniente. Existe aquela escada. Existe aquele campeonato. E existem seis homens entre mim e ele, esperando para trazer até mim sua juventude, seus feitos e conquistas. Tragam tudo! Porque quando o primeiro corpo atravessar uma mesa, a primeira escada for quebrada e quando alguém cair de uma altura que faria um homem sensato reconsiderar suas escolhas de vida, nenhuma dessas coisas será suficiente para decidir quem ficará com o campeonato.

      Saibam que a natureza pune a pressa e eu não preciso ser o homem mais desesperado daquela luta. Enquanto todos vocês estiverem olhando para o topo, eu estarei olhando para vocês. Se pensarem em como subir, eu pensarei em quem precisa cair primeiro. Eu não estou entrando nessa luta para provar que sou o melhor homem da empresa. Eu não preciso dessa validação. Estou entrando para retirar do caminho qualquer coisa que esteja entre mim e o campeonato, pois no fim, eu não preciso desse título, mas eu quero ele, e sei que nem mesmo o Darby está disposto a sentir a dor que eu sou capaz de impor apenas para colocar suas mãos no meu cinturão. Agora, olhem para ele, pois está acima de todos nós. Por alguns segundos, todos vocês serão iguais. Todos terão de começar no mesmo chão. Todos terão de lutar pela mesma escada. Mas existe algo que vocês não podem equalizar: aquilo que cada homem está disposto a fazer quando perceber que está a um passo de perder. A inexperiência de Dom vai fazê-lo hesitar. Hansen não vai suportar a pressão e vai entrar em pânico. Darby e Rollins vão tentar subir rápido demais. Kaiser e Sansho vão se distrair em suas próprias ilusões de grandeza, mas eu não. Eu vou continuar fazendo aquilo que faço desde o início desta caminhada: avançar, porque talvez essa seja a conclusão inevitável de toda essa história.

      Eu caminhei por essa estrada enfrentando tudo, e agora enfrento todos de uma vez. E isso não me assusta. Na verdade, é quase libertador. Ninguém para culpar, se eu cair, será porque não fui suficiente. Se eu vencer, será porque ninguém conseguiu me impedir. E eu prefiro assim, pois não preciso negociar minha posição. Quando aquela escada estiver no centro do ringue e o NWA Worlds Championship estiver pendurado acima de nossas cabeças e seis homens estiverem tentando transformar aquela noite em seu momento definitivo, eu vou lembrar de cada passo que me trouxe até ali, e enfim, a Ladder Chaos não será o lugar onde BKJ descobriu quem ele era. Será o lugar onde todos os outros descobrirão quem é Big Kahuna Joe.

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  12. "Eu conheço a mosca no leite
    Se destaca contra o branco
    Isso eu conheço, isso eu conheço
    Eu conheço um homem pelas suas roupas
    Até eu conheço isso
    Eu distingo o tempo bom do tempo ruim
    Isso eu conheço
    Eu conheço o fruto pela sua árvore
    Isso eu conheço
    Eu sei quem trabalha e quem folga
    Eu conheço tudo
    Tudo menos a mim mesmo
    Eu conheço todas as coisas
    Eu distingo bochechas rosadas das pálidas
    Eu conheço a morte que devora tudo
    Eu conheço tudo
    Tudo menos a mim mesmo."

    Havia um homem uma vez, ou melhor dizendo, um guerreiro corajoso que desbravava terras estrangeiras, subjugando-os e colocando-os em seus respectivos assentos dentro da ordem da natureza humana. Seu nome era Bjorn e ele não era um homem ordinário, nem mesmo em comparação com os homens de sua própria vila, ele era maior e mais forte que seus contemporâneos, sua habilidade com a espada deixava todos invejando e os seus atributos o colocaram como um dos homens de maior respeito e de responsabilidade dentro da vila, sendo uma figura de liderança no momento de planejar e executar o próximo saqueamento de algum infeliz povo que eventualmente derretia em fogo. Mas sua habilidade não parava no combate, os seus Deuses o haviam abençoado em diversos aspectos, tendo um corpo forjado através de anos de trabalho duro, além do rosto afiado que encantava e seduzia para a cama até as mulheres daqueles que lutavam a seu lado pelos campos.

    Bjorn possuia também uma sede de conhecimento inigualável, não havia canto no mundo que ele não desejava conhecer. Quando surgiram as conversas nos mercados sobre uma terra ao extremo leste do mundo, os seus olhos se abriram iguais aos de uma criança, ele precisava desbravar aquelas terras, conquistar o povo que ali habita. Com a permissão dos líderes da vila concedida, ele e os seus homens partiram nesta nova e perigosa missão, o medo deles não estava no que os aguardava do outro lado do planeta, mas sim no caminho, nas ardilosas águas e tempestades que o esperavam pela jornada. Mas mesmo assim eles conseguiram aguentar a viagem longa, e mais de um ano depois de saírem de casa avistaram o que parecia ser a terra a eles prometida.

    Assim que Bjorn e seus homens ancoraram, ele e seus homens foram explorar a terra, mas ela não parecia ser tão bela quanto eles imaginavam, era suja, cheia de lama e um tanto traiçoeira. Arne, um dos mais jovens do grupo, nem tendo completado 18 anos ainda, estava andando com o grupo em uma área lamacenta, até que a sua perna acabou afundando, todos do grupo foram em sua direção para ajudar a retira-lo dali, e de repente Arne da um berro, algo estava errado, era uma víbora nativa que havia acabado de o picar. Mesmo horas após ter saído da situação, a dor que o garoto sentia era intensa, e como líder do bando, cabia a Bjorn falar com o rapaz para que ele pudesse aliviar a mente nem que seja um pouco. A noite, sentado ao lado do jovem, Bjorn contava algumas de suas melhores histórias e aventuras, o lembrava de suas responsabilidades na terra natal, de como ele tinha que voltar para apoiar a sua mãe e irmã mais nova, que ficaram tão desamparadas depois da morte do pai também guerreiro há alguns anos atrás, Arne ainda era novo mas Bjorn o tranquilizava dizendo que ele cresceu o bastante para virar um homem capaz de prover para um lar. Mas nada disso seria suficiente, eles não tinham como parar os efeitos do veneno da peçonhenta e depois de 3 dias, com o sofrimento apenas aumentando, eles decidem dar um fim misericordioso a vida do garoto.

    Ele ainda não havia percebido, mas agora havia uma pessoa a menos naquela terra que sabia quem era Bjorn.

    Ao seguirem sua caminhada em busca de suprimentos e de civilização, eles encontram um arrozal, finalmente estão perto de encontrar alguém naquele lugar, e uma vila de arrozeiros não é algo que vai assusta-los de alguma forma. Andando mais um pouco eles encontram residências vazias, abandonadas, e em uma das casas que eles entraram vasculhando por alguma fortuna e suprimentos, uma máscara chama a atenção, uma cuja a feição demoníaca o atrai.

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    1. Ele então põe a máscara, e é na hora repreendido por Einar, o homem mais religioso do grupo, que avisa que não se deve brincar com esse tipo de coisa, ele ri de seu companheiro e diz que um protegido de Odin não há de temer nenhum demônio fraco, não há punição capaz de o tocar por usar uma máscara feita para afastar os maus espíritos. O sol rapidamente se põe, e o grupo se prepara para a noite, acampando por ali. Entretanto, com a lua cheia como única testemunha, são rapidamente encurralado pelos nativos, que mesmo quando o grupo tentou lutar devolta foram capazes de os conter, com Bjorn tendo seu invejável rosto ferido profundamente. O que acontece com o restante é desconhecido, mas com Bjorn o destino decidiu não sorrir devolta pela primeira vez. Agora prisioneiro, toda a sua experiência, sua força, seu charme, se faziam inúteis, os únicos sons que ele escutava naquela cela eram os seus próprios pensamentos, a única bela visão que ele conseguia enxergar era aquelas que ainda persistiam em sua memória, e que a cada dia pareciam mudar pouco a pouco, sendo moldadas pelos seus próprios desejos. Eventualmente ele começa a flertar com a insanidade, sozinho e largado para apodrecer, começa a questionar tudo, os seus erros, a própria ideia de quem ele é, o que é real ou não, aquela aranha no canto da parede, será que ela existe? Mas Bjorn é um homem muito honroso para morrer de forma tão patética assim, engasgado pelo veneno de um inseto tão pequeno? Ou será que essa honra nunca existiu em suas ações barbaricas?

      Num dia, talvez numa noite, uma não tão antiga lembrança aparece o assombrando, era alguém no canto daquela cela, com a sua face escondida por aquela mesma máscara que ele havia usado no seu último dia como um homem livre. Ele gritava para aquele bastardo parar de brincadeiras e o encarar, mesmo naquela posição Bjorn ainda era orgulhoso. Mas a falta de resposta daquele ser começou a entrar na mente, talvez tudo isso seja uma resposta ao seu desrespeito pelos espíritos que guardam aquele lugar, talvez o corajoso Bjorn venha entregando o seu lugar a um medroso. Aquele ser não parava um único segundo de o encarar, talvez não seja um humano ou tampouco um espírito, é um boneco, um espantalho feio usado nas plantações para afastar os pássaros da região, é, só pode ser isso mesmo. De repente, quando ia acostumando com aquela figura, ele pisca o seu único olho que ainda é capaz de abrir, e quando volta a ver luz a figura mascarada desaparece sem deixar rastros.

      Quem era aquela criatura? Um demônio com certeza!

      Ele então negocia diretamente com seus deuses, Odin, Thor, Loki... ah talvez isso tudo seja uma das travessias de Loki, mas com certeza os deuses iriam tira-lo dali, não? Bem, eles estão demorando muito. Porém, a criatura também custa a retornar, será que não passava de alucinação? Talvez seja isso. Mas na mente dele algo esta mudando, sua fé não é a mesma, na verdade está ainda mais forte! Mas não é por Odin que ele clama, não não, ele quer ver novamente o ser mascarado que o visitou, ele clama, ele agora o venera, o seu crente mais fiél! Ali somente ele acredita em sua existência e todos os insetos ao redor não passam de infiéis, hereges que não possuem a capacidade para sentir a presença de um ser especial, talvez não um demônio mas um Deus! É, deve ser isso, um ser superior apareceu para ele, que dia de sorte foi aquele!

      Hã? De quem estavamos falando mesmo? Ah sim, o... o... ah qual era o nome mesmo? Era alguém que usou uma máscara algum dia, na verdade, usou ela por muitos anos, pela sua vida inteira para ser mais exato. O homem fadado a morrer sozinho nesta cela é o verdadeiro, seu rosto finalmente pelado, aquele que escolheu crer, não naquilo que o convenceram por muitas voltas do sol que era o correto a acreditar, que devia ser igual os seus semelhantes, mas sim crer em quem ele sabe que deveria crer, mas apartir do momento que você sabe que deveria crer, isso ainda é crença? Muitas dúvidas a serem resolvidas, mas este pobre homem não vai mais ter tempo para as responder.

      ONIBABA

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  13. Ìgbéraga ní ń ṣíwájú ìparun (O orgulho precede a destruição)

    A gravação se inicia nos bastidores do First Horizon Coliseum, mais especificamente no vestiário do World Champion Oba Femi. O Yoruba Warbringer encontra-se sentado em uma cadeira de metal, e o silêncio outrora dominante dá lugar ao toque de um telefone. Oba tira o celular do bolso e vê que é sua mãe quem está ligando, atendendo-a com alegria.

    Oba: Mãe? A senhora está me ouvindo? O que aconteceu?

    Mrs. Maria Belleh: Oi, filho, estou te ouvindo, sim. Não aconteceu nada, querido, apenas te liguei para saber como você está. Mesmo de longe, eu sigo acompanhando seus passos e continuo orgulhosa de ti. Sinto tanto a sua falta, filho, mas é incrível ver que aquele pequeno sonhador que vivia grudado em mim segue perseguindo seus sonhos ininterruptamente. Hoje você tem mais um combate, certo? Como você está se sentindo?

    Oba: Suas palavras sempre me trazem uma paz indescritível, mãe. Também sinto muito a falta da senhora, mas estou longe por enquanto por um propósito maior. Sigo dando meu sangue por esse negócio, e a senhora sabe que não é somente por isso. A missão de representar nossos ancestrais me foi designada, e cá estou eu lutando pela nossa família, pelo nosso povo e pelos nossos orixás! Por mais difícil que tudo pareça, eu sigo firme, mãe. Esse combate que está por vir será extremamente desafiador, mas o jovem sonhador foi forjado por uma mãe e pelo seu povo Iorubá para ser um verdadeiro guerreiro.

    Mrs. Maria Belleh: Sábias palavras, meu filho. Nunca se esqueça de por quem você luta. O orgulho dos homens pode cegá-los, e a inveja pode fazer com que tentem derrubar aquilo que não conseguem alcançar, mas Ògún estará contigo. Eu tenho fé de que você sairá vitorioso mais uma vez.

    Oba: Muito obrigado pelas palavras, mãe. O apoio da senhora é crucial para mim. Levarei seus conselhos comigo para o ringue e farei o que um Iorubá faz de melhor: guerrear até o fim.

    Oba desliga o telefone e o coloca de volta no bolso. Por alguns segundos, o Ruler sorri levemente, mas logo volta a ter uma feição séria e vira sua atenção para a câmera ali presente, encarando-a fixamente.

    Mais um desafio se aproxima, mas não há o que temer, certo? Essa foi a condição que eu impus a mim mesmo: não hesitar de forma alguma. Rodeado de boas energias, de um apoio inigualável e de meus orixás, eu não me sinto só. Eu não me convenço de que somente eu me basto, eu sei que isso não é verdade. Eu sei que sou humano e, a qualquer momento, posso falhar, mas enquanto houver um objetivo claro em minha mente, nada poderá me parar se não for do desígnio de Olódùmarè. Um verdadeiro guerreiro funciona dessa mesma maneira: sabe dos riscos que corre, sabe que é preciso derramar sangue e suor para vencer seus obstáculos, mas ele não tem medo. E é assim que seguirei enquanto for World Champion. Enquanto esse alvo enorme estiver nas minhas costas, eu arcarei com as consequências de carregá-lo por quanto tempo quer que seja. Não me importa. Se defenderei meu título contra um, dois ou múltiplos homens, isso não cabe a mim, mas uma preparação física e mental é meu dever. Por isso, Mogger e Hokuto, não esperem que eu me ancore somente na força e no tamanho. Isso é balela, vocês sabem disso.

    Todos os meus desafiantes insistem em ressaltar meu tamanho, minha força e dizer que, por mais forte que eu seja, eu serei derrotado hora ou outra. Não discordo, mas isso não é motivo para pânico. Quando eu estava perdido, achava que ser um grandalhão era o essencial para ser campeão, e eu caí por terra. Corey Graves me fez bater três vezes na lona e o público então presente ficou em choque. Eu fiquei em choque. Mas, tempos depois, eu entendi que aquilo era para ser. Eu entendi que era como meus adversários. Eu olhava somente para o lado físico do wrestling e me bastava, sentia-me confiante demais. Mas a que custo? Não tardou para eu descobrir. No entanto, diferentemente da grande maioria dos wrestlers, eu não me acovardei.

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    1. Não busquei desculpas, não busquei culpados, mas eu sabia que deveria melhorar, e muito, se quisesse um dia representar meu povo como eles verdadeiramente devem ser representados. Eu não podia mais envergonhar os meus ancestrais! Eu busquei o auxílio do meu povo, dos meus orixás, e desde então tudo mudou. Eu entendi que não bastava ser um grandalhão e pisar com força no chão para amedrontar meus rivais. Eu entendi que não podia mais ser como vocês, Hokuto e Mogger.

      Eu entendi que não precisava de realização pessoal. Eu precisava de proteção, de vigor, de direção! O êxito máximo é de fato aprazível, mas não é o que me move dia após dia. É uma armadilha se cair nas mãos erradas. Por isso, eu não deixarei que caia nas mãos de meus adversários que estão por vir. Afinal, o que vocês têm feito para atingi-lo? É fácil dizer que perderam uma vez só ou que estão invictos. Caso esse seja o mérito, eu também me adequo a isso. Se me vencerem, dirão que o resultado era óbvio, mas o que farão? Apenas ostentarão esse título e alimentarão seus egos? Não sejam tão tolos. O pote de ouro no final do arco-íris é de fato muito chamativo, mas a tormenta pela qual os senhores passarão será indescritível. Por terra cairão e por ela voltarão rastejando de onde vieram. A inveja de vocês não será o melhor combustível, pois Ògún está comigo, preparado para me capacitar a apagar as chamas provocadas. E caso sejam derrotados? O que dirão? Hokuto, presumo que você dirá que não precisa disso, pois uma verdadeira samurai se basta e caminha pelas sombras até conquistar o que quer, mas sabemos que não é bem assim. Afinal, você tem caminhado até demais pelas sombras, pois ninguém tem visto você. Se não fosse por entrar em meu caminho na urgência de se catapultar por um último suspiro de sucesso, você continuaria totalmente fora dos holofotes. Seu legado foi manchado pela sua ignorância e pela sua arrogância. Seu ponto alto na Wrestling Society foi se desfazer do seu manager, e o que mais? Apenas observar os gladiadores ao longe e atacar quando oportuno? Pois esta é a sua chance. É melhor fazer com que ela valha muito a pena, caso contrário, você voltará a ser irrelevante e a vagar sem propósito.

      E você, Mogger? Caso seja derrotado, você dirá que a culpa é de Hokuto? Do árbitro? Do ambiente? Do ringue? São tantas desculpas que você arruma que chega a ser cômico. Você olha para si mesmo e se enxerga como sinônimo de perfeição, possuindo músculos altamente definidos, beleza, riqueza, mas esse é o ápice da futilidade. Você é vazio e sabe muito bem disso. Você se convence de que é melhor do que os outros, mas, no fundo, nós sabemos, Narciso, que você olha seu próprio reflexo porque é o que te resta. No ringue não haverá beleza, haverá somente caos. Seus músculos colidirão com a minha força e com a minha fé e não serão suficientes para me derrubar. Suas gírias de adolescente serão esquecidas em breve, porque é assim que as coisas funcionam. Uma vez que vocês entrarem no vórtex de Oba Femi, não haverá mais saída até que o gongo soe e o vencedor seja anunciado. Veja Josh Bishopp, Zack Sabre Jr., o próprio Corey Graves! Todos eles se pintaram como maiores e melhores do que eu, mas, uma vez derrotados, não tiveram forças o suficiente nem mesmo humildade para se levantar e recomeçar. E assim acontecerá com vocês, porque o vosso orgulho precederá a destruição. Ele lhes causa cegueira, mas eu os farei enxergar que a verdade é uma só: nenhum de vocês está preparado para a guerra trazida pelo Yoruba Warbringer, Oba Femi.


      A gravação se encerra com Oba Femi levantando-se da cadeira, abrindo seu armário e pegando seu Aṣògún, veste típica dos Iorubás que se preparam para uma grande guerra que está por vir.

      The Ruler
      The Yoruba Warbringer
      The World Champion,
      Oba Femi

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  14. Então finalmente chegou o momento, Raven. Depois de semanas nessa guerra de provocações, ataques e tentativas desesperadas de um destruir o outro, finalmente colocaram nós dois em um Texas Deathmatch. Sem desculpas, sem regras confortáveis e sem ninguém para salvar você. O último homem de pé vence. E, sinceramente? Eu adoro isso. Você passou semanas tentando me convencer de que deveria ter medo de você. Essa sua pose sombria, esse olhar de quem carrega o peso do mundo nas costas, essa tentativa de parecer o homem mais perigoso da sala… Raven, eu vou te contar um segredo: você não me assusta. Na verdade, quanto mais você tenta parecer assustador, mais eu percebo que você está tentando desesperadamente convencer a si mesmo de que ainda é relevante.

    Você queria uma guerra? Perfeito. Você escolheu a pessoa errada para enfrentar. Porque eu não preciso ser o homem mais resistente do mundo. Eu só preciso ser o último a levantar. Você pode me jogar contra uma mesa. Pode usar uma cadeira. Pode me fazer sangrar. Pode me derrubar uma, duas, dez vezes. Eu vou continuar levantando. E cada vez que eu levantar, você vai perceber que o seu problema nunca foi conseguir me derrubar. O seu problema vai ser me manter no chão. Você fala sobre experiência, sobre guerras, sobre tudo o que já viveu. Parabéns, Raven. Mas seu passado não vai lutar por você. Sua reputação não vai me impedir de acertar você. E todas essas histórias que você conta não vão levantar quando seu corpo simplesmente não conseguir mais obedecer.

    No Texas Deathmatch, ninguém se importa com quem você costumava ser. Só importa quem continua de pé. E eu sei quem vai estar de pé: Trick Williams. Eu não estou entrando nessa luta para sobreviver a você. Estou entrando para terminar o que começamos. Você transformou isso em algo pessoal quando decidiu que iria me destruir. Agora aguenta as consequências. Eu gosto de desafios, Raven. Gosto quando alguém me diz que eu não consigo. Gosto quando colocam um obstáculo na minha frente e esperam que eu recue.

    Porque toda vez que fazem isso, eu mostro que estavam errados. Você não é diferente. Então venha com toda essa sua raiva. Venha com toda essa experiência. Venha com essa sua melhor versão de homem perigoso. Porque quando o sino tocar, tudo isso vai desaparecer. Vai existir apenas você, eu e o chão. E quando você estiver lá embaixo tentando encontrar forças para levantar, eu vou estar esperando. Vou deixar você tentar. Vou deixar você acreditar por alguns segundos que ainda existe uma saída. E então eu vou derrubar você novamente. Porque essa luta não termina quando alguém cai. Termina quando alguém não consegue mais levantar. E, Raven, eu já sei quem vai continuar de pé.

    Você tentou acabar com Trick Williams. Agora você vai descobrir que o maior erro que poderia ter cometido foi me dar um motivo para acabar com você. O passado é seu. O futuro é meu. E depois do Texas Deathmatch, você vai finalmente entender a diferença.


    Trick Williams

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